Friday, June 18, 2010

FENÔMENO NO CARIRI - Cacimba com água quente intriga populares - Reportagem: Antonio Vicelmo


Geólogo Raimundo Romcy mediu a temperatura da cacimba no Sítio Riacho Seco e constatou que a água chega a 60°C. Populares apontam causas diversas para o aquecimento - ANTÔNIO VICELMO - Possível fonte de água térmica começou a jorrar numa cacimba na zona rural do Município de Missão Velha.

Missão Velha. Moradores do Sítio Riacho Seco, a 10 quilômetros da sede deste Município, estão apavorados com um fenômeno, até o momento, não explicado pelos geólogos. A água de uma cacimba, localizada no quintal da casa do agropecuarista Marcelo Barros Santana, aqueceu, de repente, a uma temperatura acima de 60 graus. Geólogos levantam a hipótese de um fenômeno geotérmico, provocado pelo vapor que emerge através de fissuras na crosta terrestre, ou reação química de sais minerais. O geólogo Raimundo Romcy de Oliveira, funcionário do Geopark Araripe, que esteve ontem na localidade, a convite da reportagem, informou, a princípio, que o aquecimento da água teria sido causado por um curto circuito na bomba vibra-vert instalada no cacimbão para o bombeamento da água.

A primeira interpretação do geólogo foi confirmada, em parte, pelo eletricista e vendedor de bombas José Rodrigues. "É comum o curto circuito da bomba, mas o aquecimento da água dentro de uma cacimba é raro", disse Rodrigues, acrescentando que presta assistência às bombas, há 40 anos, mas nunca presenciou um fenômeno assim, considerado inexplicável. O geólogo orientou o esvaziamento da cacimba, o que foi feito uma hora depois da saída da reportagem do local. O proprietário da casa Marcelo Barros determinou que uma pessoa descesse para verificar se a água renovada continuava quente. O funcionário da fazenda subiu confirmando a alta temperatura da reserva hídrica. Neste caso, foi afastada a possibilidade do aquecimento ter sido causado pela bomba. Com a nova informação, o geólogo mudou de opinião. Uma das hipóteses, segundo Romcy, é uma reação química provocada por algum mineral. A outra é geotérmica. O geólogo explica que, abaixo da crosta terrestre, existe um manto composto por rochas líquidas a altas temperaturas, o magma. Nestas zonas, os depósitos ou correntes de água são esquentados pelo magma até temperaturas às vezes superior a 140ºC. Este fenômeno, de acordo com Romcy, pode gerar as fontes de águas térmicas, utilizadas como medicinais.

Ao levantar estas hipóteses, Romcy esclarece que o fenômeno só será esclarecido com uma análise de laboratório da água da cacimba. Ele garantiu que a Universidade Regional do Cariri (Urca) vai mobilizar uma equipe de geólogos que ainda hoje voltará ao Sítio Riacho Seco com a finalidade de colher amostras da água para serem analisadas no laboratório do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec). O que deixa o geólogo intrigado é o fato de o aquecimento ser registrado apenas numa cacimba. Os poços abastecidos pelo mesmo lençol freático não sofreram alteração, segundo constataram o geólogo e os moradores da comunidade.

Situação de emergência

A cacimba, com 8 metros de profundidade, foi feita há cerca de 25 anos. Como a água era salobra, estava sendo utilizada apenas em situações emergenciais de abastecimento. A casa é abastecida por uma rede de abastecimento d´água que passa em frente. Na manhã de segunda-feira faltou água. O proprietário Marcelo Barros mandou limpar o cacimbão e acionou a bomba de puxar o líquido, que funcionou normalmente. No dia seguinte, a doméstica Regilânia Sabino tentou ligar a bomba, mas não conseguiu. Estava queimada. Ao providenciar a retirada da água com uma balde amarrado numa corda, percebeu que a água estava muito quente. "Não dava nem para colocar a mão dentro", lembra ela. A partir de então se espalhou a notícia de que a cacimba estava "pegando fogo". "Uns diziam que era um vulcão, outros falavam que era poço de petróleo", conta Marcelo.

Antônio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaborador do Blog do Crato

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