Tuesday, June 22, 2010

Preconceito e atraso no ensino da história econômica do Brasil – por Armando Lopes Rafael


Aconselho a todos a leitura do livro “A Nação Mercantilista”, tese de doutorado de Jorge Caldeira. Na obra citada o autor prova que a história econômica do Brasil sempre foi mal contada, especialmente a da fase do período colonial.
Jorge Caldeira defende também que os problemas do Brasil não decorrem de sua inviabilidade econômica, como querem fazer crer os professores das universidades públicas. Segundo ele, nossos problemas advêm da ação das nossas elites, as quais – ontem como hoje – tiveram responsabilidade no atraso do Brasil.
O trabalho de Jorge Caldeira tem o mérito de desmistificar o que é ensinado nas universidades públicas brasileiras, onde professores da “esquerdona” jurássica ¬ verdadeiros dinossauros que ainda defendem o falido "socialismo real" – pregam (e muitos tolos acreditam) que o período monárquico foi de atraso e a República (advinda de um golpe militar sem participação do povo) representa uma esperança de progresso...
Até a independência do Brasil, ocorrida em 7 de setembro de 1822, esse atraso era atribuído à Coroa Portuguesa. Jorge Caldeira mostra que mesmo com os defeitos da administração portuguesa, o Brasil crescia muito naquele recuado tempo. Após consultar 354 obras – além de trabalhos e estudos diversos – o autor lembra que em 1500 o PIB de Portugal era um dos maiores da Europa e que em 1822 o PIB do Brasil era o dobro do de Portugal e maior do que o dos Estados Unidos.
Durante o século 18, o Brasil cresceu 10% ao ano, fato raro no mundo, mesmo nos dias atuais. Segundo o livro de Jorge Caldeira, o Brasil foi um dos primeiros países a conquistar eleições diretas. Apenas os Estados Unidos e a Inglaterra tiveram um número maior de eleições do que o Brasil. O objetivo do livro “A Nação Mercantilista” é explicar porque uma das economias mais desenvolvidas do mundo no século 18, ou seja, a economia brasileira, regrediu a ponto de representar hoje apenas 10% da economia norte-americana.
Bom lembrar que o crescimento do Brasil em 2009 foi praticamente zero.
Outros fatos interessantes que encontramos no livro “A Nação Mercantilista”: em 1578, o Brasil já era responsável por mais de um quarto de toda a receita das colônias portuguesas. Portugal administrava nosso imenso território com uma estrutura diminuta basicamente formada por um governador-geral, provedor da fazenda, um juiz de relação, um bispo e poucos assessores. Hoje se apelidaria isso de "Estado Mínimo" ou "política neoliberal". No final do século 18, o Brasil já respondia por 83,7% das exportações de todas as colônias portuguesas. Vendia quatro milhões de libras esterlinas, quase o dobro da venda dos Estados Unidos.
No capítulo sobre a nação mercantilista, Caldeira menciona que o crescimento brasileiro entre os anos 1800 e 1820, foi impressionante em grande parte devido às ações de Dom João VI durante sua permanência no Brasil, abrindo os portos à comercialização. Com a independência, ocorrida em 1822, graças ao Imperador Dom Pedro I, surge oficialmente a nação mercantilista brasileira, democrática, com 11% da população apta a votar, enquanto na Inglaterra apenas 7% votavam e na Itália apenas 2%.
Depois da leitura desse livro constatamos que os ensinamentos que nos foram repassados nas universidades públicas não se resumem apenas a atraso e preconceito. São baseados em fatos inverídicos mesmo...
Texto e postagem Armando Lopes Rafael

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