Tuesday, February 12, 2013

Notícias desta terça-feira de carnaval (Armando Rafael)

Lambrujeira 1

Crédito da foto: Dihelson Mendonça

Quem passa pela Praça da Sé (foto acima), o chão mais sagrado desta Heráldica Cidade de Frei Carlos, fica surpreendido com o número de mosaicos soltos ou quebrados. Bom lembrar que a reforma daquela praça foi feita há apenas 7 meses. Para fazer a reforma das praças centrais de Crato o governo do Estado tomou dinheiro emprestado no Banco Mundial. E a construtora fez um serviço de segunda categoria. Por oportuno, observem também o estado em que se encontra o piso da Praça Alexandre Arraes...

Lambrujeira 2


Também o calçamento feito com blocos de cimento intertravados começa a mostrar sua fragilidade. Em frente à Coletoria Estadual, na Praça da Sé, um persistente vazamento da tubulação d’água já mostra seus efeitos. E na Rua Dom Quintino, em dois lugares, o calçamento cedeu. Num desses locais alguns blocos foram retirados e o pequeno buraco tende a aumentar. No outro local o calçamento simplesmente arriou e o fato é sentido por quem passa por ali de carro.




Preservando o patrimônio histórico de Crato

O piso de madeira do Coro da Catedral de Crato apresentou sinais de que cedeu um pouco. É coisa mínima, mas, precavido, o Cura da Sé, padre Edimilson Neves chamou um engenheiro para avaliar o quadro. Este sugeriu retirar a mureta interna – feita com placas de concreto – pois pesavam muito. Padre Edmilson vai fazer mais: logo após o carnaval, inicia uma campanha junto aos fiéis para restaurar todo o coro. Este terá o histórico piso de madeira preservado. E, quanto pronto, voltará ser utilizado pelos corais que participam das missas na velha Sé.

Pensando alto


Padre Edimilson enxerga mais longe. Ele alimenta o sonho de, no futuro, adquirir um harmônio de tubos para ser utilizado no coro da catedral de Nossa Senhora da Penha. Para quem não sabe, o harmônio é um instrumento musical tocado por meio de um ou mais manuais e uma pedaleira. O som é produzido pela passagem do vento (ar comprimido) através de tubos de metal e madeira. O seu mavioso som impregna as igrejas com uma atmosfera espiritual, quando tocado durante as liturgias católicas.



Coisas desta República

Ora, direis que não estamos no 1º de abril, Dia da Mentira! Mas esta notícia foi veiculada pela mídia neste feriadão do carnaval: Aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL) vão apresentar um pedido de impeachment contra o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, como retaliação à denúncia feita por este contra o presidente do Senado no Supremo Tribunal Federal.

No mais

Que valor moral teria este movimento feito pela Tropa de Choque do senador alagoano? A Tropa de Choque de Renan é composta pelo que de pior existe no atual quadro caótico da política brasileira. E o Procurador Roberto Gurgel tem credibilidade e apoio da opinião pública brasileira. Esta,  em apenas oito dias, já reuniu mais de 1 milhão de assinaturas em favor do impeachment de Renan Calheiros.

Efeito Orloff (ou: “eu sou você amanhã”)

Lembram-se da propaganda daquela vodca? Pois bem, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, congelou os preços nos supermercados até o dia 1º de abril. E com a volta da inflação aqui no Brasil... Cala-te boca!

Aliás

Dona Dilma já sinalizou quer vai acompanhar mais de perto os preços da cesta básica... Hummm... aí tem coisa! Bom não esquecer que para atingir a meta fiscal de 2012, o governo federal – dentre outras “químicas” – utilizou no cálculo R$ 7,2 bilhões de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço–FGTS.

Triste realidade

A minoria de brasileiros que participou do carnaval no Rio de Janeiro, Salvador e Recife/Olinda (além de outros núcleos insignificantes em número de pessoas num país continental) bem poderia ter adaptado aquela marchinha de carnaval de Zé Keti, dos anos 60: "Tanto riso, oh quanta alegria! Mais de 190 milhões de palhaços no salão...". Sim, pois num país em putrefação moral como o nosso, com a inflação voltando, com a constatação de que somos o único país emergente que enfrenta a combinação de custo de vida em alta e produção estagnada, a população sem políticas de  segurança e  saúde, além da corrupção que varre  todos os níveis da nação, a opinião pública brasileira sente-se como se fosse um palhaço.

Herança bendita

Aliás, se o Governo Federal continua impotente para deter o atual surto inflacionário, deveria ter a humildade de procurar FHC e perguntar qual foi a fórmula que ele usou para derrotar a hiperinflação que durante 100 anos foi uma constante na história republicana brasileira.

A frase da semana

Foi dita pelo deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ): “Pior do que este Parlamento, só um Parlamento fechado”. Disse tudo!

...e para finalizar a charge do dia, publicada na "Folha de S.Paulo":

                                                                               

Qual a melhor riqueza? - Por Magali de Figueirêdo Esmeraldo

No mundo de hoje, as pessoas se preocupam em acumular riquezas. Às vezes até exploram o ser humano contanto que obtenham lucro. O capitalismo é o responsável pela acumulação exagerada de bens que gera a pobreza e a exclusão social. São graves as conseqüências que a riqueza pode produzir. A fortuna de uns a custa da miséria da maioria, gera fome e violência, causando morte e até o caos social. A sociedade em que vivemos é, portanto uma sociedade individualista, onde o Ter, o Poder e o Prazer são idolatrados. Engana-se aquele que pensa que dinheiro em excesso traz felicidade. Observamos que pessoas muito ricas, às vezes não são felizes.

As palavras de Jesus proferidas há mais de dois mil anos, estão atualizadas ainda hoje: “Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões assaltam e roubam. Ajuntem riquezas no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assaltam nem roubam. De fato, onde está o seu tesouro, aí estará também o seu coração” (Mt 6, 19-21). Já pensamos qual desses valores gostaríamos de seguir? O ser humano de modo consciente ou inconsciente tem na vida um valor fundamental, uma meta para orientar sua ação no mundo. O homem necessita ter fé, acreditar em Deus e, só vai se sentir bem buscando a proteção e a confiança Nele, para solucionar os seus problemas. O que é mais importante? Deus ou as riquezas? Deus é o tesouro que as pessoas buscam, a fim de se entregar completamente a Ele. É Deus que leva o homem à liberdade e à vida. Essa liberdade é conseqüência da justiça que gera a partilha e a fraternidade. Havendo justiça conseqüentemente teremos a paz. Se cada pessoa conhecesse a mensagem de Jesus e aplicasse na sua vida, o mundo poderia se transformar. Imaginem vivermos numa sociedade justa e fraterna, onde todos tivessem direitos iguais. Jesus com a sua mensagem veio implantar o Reino de Deus que é um reino de paz, justiça e amor.

Como podemos ajudar na construção de um mundo melhor? Fazendo a nossa pequena parte começando na nossa família, transmitindo aos nossos filhos os valores “que nem a traça nem a ferrugem corroem”. Essa é a melhor herança que os pais devem deixar para os filhos. E os filhos tomando posse desses bens, transformariam o mundo através do amor, implantando a justiça, a paz e a fraternidade e assim estariam colaborando com o projeto de Deus. Será utopia? Não, se cada pessoa no mundo tivesse oportunidade de conhecer a mensagem de Jesus Cristo que é transformadora. Mas teríamos que deixar o nosso coração aberto para absorver tudo o que Deus quer de nós. E a vontade de Dele é que “Amemo-nos uns aos outros”. Se Deus nos amou ao ponto de enviar o seu Filho para nos libertar, devemos fazer a Sua vontade .(1 Jo 4,9-11).

Por Magali de Figueirêdo Esmeraldo

Vou-me embora pra Bruzundanga – por Marco Antonio Villa


(Publicado no jornal "Estado de S.Paulo", 11-02-2013)

O Brasil é um país fantástico. Nulidades são transformadas em gênios da noite para o dia. Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres. Temos ao longo da nossa História diversos exemplos. O mais recente é Dilma Rousseff.

Surgiu no mundo político brasileiro há uma década. Durante o regime militar militou em grupos de luta armada, mas não se destacou entre as lideranças. Fez política no Rio Grande do Sul exercendo funções pouco expressivas. Tentou fazer pós-graduação em Economia na Unicamp, mas acabou fracassando, não conseguiu sequer fazer um simples exame de qualificação de mestrado. Mesmo assim, durante anos foi apresentada como "doutora" em Economia. Quis-se aventurar no mundo de negócios, mas também malogrou. Abriu em Porto Alegre uma lojinha de mercadorias populares, conhecidas como "de 1,99". Não deu certo. Teve logo de fechar as portas.

Caminharia para a obscuridade se vivesse num país politicamente sério. Porém, para sorte dela, nasceu no Brasil. E depois de tantos fracassos acabou premiada: virou ministra de Minas e Energia. Lula disse que ficou impressionado porque numa reunião ela compareceu munida de um laptop. Ainda mais: apresentou um enorme volume de dados que, apesar de incompreensíveis, impressionaram favoravelmente o presidente eleito.

Foi nesse cenário, digno de O Homem que Sabia Javanês, que Dilma passou pouco mais de dois anos no Ministério de Minas e Energia. Deixou como marca um absoluto vazio. Nada fez digno de registro. Mas novamente foi promovida. Chegou à chefia da Casa Civil após a queda de José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão. Cabe novamente a pergunta: por quê? Para o projeto continuísta do PT a figura anódina de Dilma Rousseff caiu como uma luva. Mesmo não deixando em um quinquênio uma marca administrativa - um projeto, uma ideia -, foi alçada a sucessora de Lula.

Nesse momento, quando foi definida como a futura ocupante da cadeira presidencial, é que foi desenhado o figurino de gestora eficiente, de profunda conhecedora de economia e do Brasil, de uma técnica exemplar, durona, implacável e desinteressada de política. Como deveria ser uma presidente - a primeira - no imaginário popular.

Deve ser reconhecido que os petistas são eficientes. A tarefa foi dura, muito dura. Dilma passou por uma cirurgia plástica, considerada essencial para, como disseram à época, dar um ar mais sereno e simpático à então candidata. Foi transformada em "mãe do PAC". Acompanhou Lula por todo o País. Para ela - e só para ela - a campanha eleitoral começou em 2008. Cada ato do governo foi motivo para um evento público, sempre transformado em comício e com ampla cobertura da imprensa. Seu criador foi apresentando homeopaticamente as qualidades da criatura ao eleitorado. Mas a enorme dificuldade de comunicação de Dilma acabou obrigando o criador a ser o seu tradutor, falando em nome dela - e violando abertamente a legislação eleitoral.

Com base numa ampla aliança eleitoral e no uso descarado da máquina governamental, venceu a eleição. Foi recebida com enorme boa vontade pela imprensa. A fábula da gestora eficiente, da administradora cuidadosa e da chefe implacável durante meses foi sendo repetida. Seu figurino recebeu o reforço, mais que necessário, de combatente da corrupção. Também, pudera: não há na História republicana nenhum caso de um presidente que em dois anos de mandato tenha sido obrigado a demitir tantos ministros acusados de atos lesivos ao interesse público.

Com o esgotamento do modelo de desenvolvimento criado no final do século 20 e um quadro econômico internacional extremamente complexo, a presidente teve de começar a viver no mundo real. E aí a figuração começou a mostrar suas fraquezas. O crescimento do produto interno bruto (PIB) de 7,5% de 2010, que foi um componente importante para a vitória eleitoral, logo não passou de uma recordação. Independentemente da ilusão do índice (em 2009 o crescimento foi negativo: -0,7%), apesar de todos os artifícios utilizados, em 2011 o crescimento foi de apenas 2,7%. Mas para piorar, tudo indica que em 2012 não tenha passado de 1%. Foi o pior biênio dos tempos contemporâneos, só ficando à frente, na América do Sul, do Paraguai. A desindustrialização aprofundou-se de tal forma que em 2012 o setor cresceu negativamente: -2,1%. O saldo da balança comercial caiu 35% em relação à 2011, o pior desempenho dos últimos dez anos, e em janeiro deste ano teve o maior saldo negativo em 24 anos. A inflação dá claros sinais de que está fugindo do controle. E a dívida pública federal disparou: chegou a R$ 2 trilhões.

As promessas eleitorais de 2010 nunca se materializaram. Os milhares de creches desmancharam-se no ar. O programa habitacional ficou notabilizado por acusações de corrupção. As obras de infraestrutura estão atrasadas e superfaturadas. Os bancos e empresas estatais transformaram-se em meros instrumentos políticos - a Petrobrás é a mais afetada pelo desvario dilmista.

Não há contabilidade criativa suficiente para esconder o óbvio: o governo Dilma Rousseff é um fracasso. E pusilânime: abre o baú e recoloca velhas propostas como novos instrumentos de política econômica. É uma confissão de que não consegue pensar com originalidade. Nesse ritmo, logo veremos o ministro Guido Mantega anunciar uma grande novidade para combater o aumento dos preços dos alimentos: a criação da Sunab.

Ah, o Brasil ainda vai cumprir seu ideal: ser uma grande Bruzundanga. Lá, na cruel ironia de Lima Barreto, a Constituição estabelecia que o presidente "devia unicamente saber ler e escrever; que nunca tivesse mostrado ou procurado mostrar que tinha alguma inteligência; que não tivesse vontade própria; que fosse, enfim, de uma mediocridade total".

* Marco Antonio Villa, historiador.  É professor da Universidade Federal de São Carlos– SP.

Monday, February 11, 2013

"O Povo" on line divulga entrevista de Dom Fernando Panico

Bispo do Crato diz que Bento XVI queria mais pressa na reabilitação de Padre Cícero 

(Matéria publicada no O POVO online, nesta 2ª feira, às 12:12h.)




O bispo da diocese do Crato (no Ceará), dom Fernando Panico, afirma que o papa Bento XVI foi o pontífice que “mais se interessou pelas questões da paróquia de Juazeiro o Norte e as romarias que reúnem 2,5 milhões de romeiros todos os anos”. De acordo com dom Fernando, foi o cardeal alemão que o “incentivou a estudar e iniciar o processo de reabilitação das ordens do padre Cícero Romão Batista”.

“Pena”, segundo dom Fernando, que a reabilitação de Padre Cícero não se dará pelas mãos de Beto XVI que renunciou ao cargo de papa da igreja Católica na manhã desta segunda-feira e Carnaval. “Ele se mostrava incomodado com a lentidão do processo e prometeu, num encontro no Vaticano, que ia acelerar a reabilitação”.

Dom Fernando Panico avalia que o papa Bento XVI é responsável pela abertura da Igreja Católica para a pós-modernidade. Foi ele, segundo o religioso, que continuou a missão “profética” de João Paulo II quando iniciou a chamada “modernização da igreja”.

Bento XVI, de acordo com dom Fernando, “fez dialogar cultura, razão e fé” entre o mundo e o catolicismo. Fez dialogar conceitos que, aparentemente, são antagônicos ou estão colocados em campos de oposição. Ele, segundo dom Fernando, é o papa da “heroica resistência ao relativismo”

O atual papa, que anunciou sua renúncia nesta segunda-feira de Carnaval, é considerado por dom Fernando Panico o pontífice “que mostrou ao mundo caduco que a igreja Católica é jovem”. Sua presença era esperada para a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em julho deste ano no Rio de Janeiro. “Quem sabe ele estará aqui?”.

De acordo com dom Fernando Panico, a atitude de Bento XVI ter renunciado não é sinal de “fracasso ou fragilidade”. Segundo o bispo da região do Cariri, o ato que surpreendeu o mundo pode ser considerado um “ato heroico, um ato de humildade em reconhecer que não reúne forças físicas para continuar” no comando da igreja. “Se formos analisar um de seus livros, alguns textos e discursos, Bento XVI já vinha preparando a igreja para uma renúncia”.
                               
Demitri Túlio

COMENTÁRIO FEITO POR ARMANDO RAFAEL: 



      Interessante esta matéria da lavra do jornalista Demitri Túlio. Jornalismo sério é isso! Realmente, o bispo de Crato, dom Fernando Panico, teve diversos encontros com o cardeal e teólogo Joseph Ratzinger (tanto quando este ainda era o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé) como também depois de eleito Papa, agora  com o nome de Bento XVI.
Quase toda a formação acadêmica de Dom Fernando Panico foi feita em Roma. Apenas o Doutorado em Liturgia ele obteve pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, Brasil.

Nascido na cidade de Tricase (mas naturalizado brasileiro) ao chegar como Missionário no Brasil, no estado do Maranhão, em 1974, o jovem padre Fernando Panico trazia na bagagem – além de excelentes contatos na Cidade Eterna – um imenso desejo de servir ao povo nordestino.  Por modéstia ele não fala nesse  assunto, mas é bom revelar que  um tio de Dom Fernando era o cardeal Dom Giovanni Panico. Este foi Núncio Apostólico do Vaticano em diversos países, dentre os quais: Argentina, Tchecoslováquia, Austrália, Nova Zelândia, Peru e Portugal.  Por outro lado,  um primo de Dom Fernando –  Dom Carmelo Cassati – foi bispo em Pinheiro (Maranhão) e aposentou-se recentemente como Arcebispo Emérito de Trani-Barletta, na Itália.

A matéria faz jus ao excelente currículo acadêmico de Dom Fernando Panico que possui Bacharelato em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma;  Especialização e Mestrado em Teologia,  pelo Centro Teológico de Florença, Itália, e pelo Pontifício Ateneu Santo Anselmo de Roma. Dom Fernando também é  Mestre em Teologia Litúrgica e tem Doutorado em Liturgia, pela Faculdade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, SP.

Alguém, com justa razão, há de perguntar:
Por que com a boa origem familiar que tem  e o excelente currículo que possui, pode Dom Fernando suportar as calúnias de jornais nanicos da imprensa marrom, financiados por interesses escusos ligados à apropriação indevida de terrenos em Juazeiro do Norte? 

Outros tempos - Por Antonio Morais


Quero contar aqui uma preciosidade atribuída ao Deputado Estadual cratense Derval Peixoto nas épocas em que quem não apresentasse uma bem avaliada atuação politica ficava pra trás.

Sustenta a historia que o Senador Wilson Gonçalves estando em Crato o Hermes Lucas soltava três duzias de foguetões avisando aos amigos e correligionários, que apinhavam a casa do senador.

Certa feita, Maildes Rodovalho, um escudeiro fiel, o mais autentico gogó, passava  de xoto pela Praça Siqueira Campos na direção da casa da rua Barbara de Alencar, onde hoje fica o Hotel Vila Real, residencia do Dr. Wilson.

O deputado Derval Peixoto com um jornal na mão chamou o Maildes e disse: Veja o que o jornal fala do teu senador.  Esta informando que o Papa o excomungou! Leia aí! 

Maildes era meio mobral e respondeu: leia você mesmo. Então, o Derval Peixoto lascou a noticia a seu modo: O papa excomungou o Senador Wilson Gonçalves porque ele é maçom e corrupto, a excomunhão é extensiva também a todos os eleitores.

Maildes coçou a cabeça, andou dois passos pra diante, dois pra trás e respondeu: “Papa mais fresco”.

A Tabuada Misteriosa de Alice. – Adaptação de Carlos Eduardo Esmeraldo



O livro “Alice no país das Maravilhas” é repleto de esquisitices e absurdos. No segundo capítulo cujo titulo é “A Lagoa de Lágrimas” ou “Mar de Lágrimas”, segundo as diferentes traduções, há uma transformação misteriosa em Alice. Ela cresceu exageradamente, de modo que os pés estavam “quase fora do alcance de sua vista...” Então Alice começou a testar sua identidade. “Com certeza eu não sou Ada, porque ela tem longos cabelos.....” “Quero saber se ainda sei tudo que sabia: 4×5=12; 4×6=13; 4×7......  Oh meu Deus, desse jeito, nunca chegarei a vinte.”

O autor, o inglês Charles Lutwidge Dodgson, um professor de matemática que escreveu “Alice no País das Maravilhas” e “Através do Espelho” sob o pseudônimo Lewis Carroll, morreu sem decifrar o enigma.

Vários matemáticos no decorrer do século XX tentaram decifrar essa tabuada esquisita. O norte-americano Martin Gardner, especialista em Matemática Recreativa apresentou como justificativa o fato das tabelas de multiplicação existentes até a metade do século XIX exibirem 12 valores sucessivos para variável, daí Alice não chegar a vinte, pois não existia o produto 4×13.  Porém tais explicações não foram bem satisfeitas. 
 
Já o matemático Inglês Alexandre L. Taylor apresentou uma explicação incompleta, porém mais compreensivel. Testou os produtos da multiplicação por quatro com base em diferentes sistemas de numeração, cuja base variava em Progressão Aritmética de razão 3: Assim sendo 4× 5=12 num sistema de numeração não decimal, mas num sistema de base igual a 18; 4×6=13 num sistema de numeração de base 21. Continuando a operação com as base variando mais 3 unidades:4×7=14 na base 24; 4×8=15 na base 27; 4×9= 16 na base 30; 4×10=17 na base 33; 4×11=18 na base 36; 4×12=19 na base 39, falhando quando chegou na base 42, pois o produto não dá igual a vinte. Segundo o autor da demonstração, foi por isso que Alice afirmou que nunca chegaria a vinte.
Fica a sugestão para quem desejar dar uma justificativa mais plausível.

Adaptado por Carlos Eduardo Esmeraldo
Fonte: Alice no País da Maravilhas, Capítulo II
            Nelson Tunala, in Revista do Professor de Matemática, “A misteriosa Tabuada de Multiplicação por quatro de Alice no País das Maravilhas, pág.03

O barraco apertado - Por: Emerson Monteiro


A luz dos relâmpagos que entrava pelas frestas da taipa clareou-lhe também o juízo. Manhãzinha cedo e buscaria o velho cigano na procura de conselho. Há muito tempo deixara de visitá-lo, achando que sofrimento afeiçoa o espírito, vem e volta com o sol de cada dia, aprimorando sem precisão de viver ocupando a vida alheia. Mas o cigano gostava de companhia. Bom de conversa, melhor ainda de conselho. Cedo, pois, retornaria ao homem solitário da Várzea.

Família numerosa, sertão de sustento difícil e, depois de tudo, o mais pesaroso que achava, dormiam naquela choça pequena, de quarto e cozinha, uns, no barro, outros, nas redes puídas que restavam; menino novo; o escuro das noites; e as goteiras friorentas por cima, na época de chuvas. Preocupação, nada resolve. Ação, sim.

Agiu. Logo cedo antes de cair no eito, arrancou-se, achou o homem ainda esfregando os olhos, enquanto curiava a fervura da água do café, acocorado no chão da cozinha. Voz escorrida, o semblante sereno de quem gastou as reservas de pressa e renunciava de juntar coisas perdidas desse mundo. Cumpridas as formalidades, largou num canto as raízes de macaxeira que trouxera de agrado, e desfiou o rosário das amarguras.

O cigano, obsequioso, calado, ouviu toda a história, que para ele nada de novo acrescentava ao passado, calejado nos cortes da experiência. Sob o recolhimento voluntário, tomava a capricho auxiliar as pessoas. Sabia da força que a palavra possui. Clareia estradas, refaz percursos. Do tom que escutava, julgou o tamanho da dificuldade.

- Pode conseguir uma vaca de bezerro novo? - quis saber o ancião. Ante o aceno positivo da visita, prosseguiu: - Eis aí o jeito. Bote eles dois para dormir no meio da sua família e só volte depois que passados quinze dias.

Decerto sucedeu o esperado. Problema cresceu volume no mocó já humilde. A dormida, antes sofrida, tornou-se insuportável sob todos os aspectos. Porém o pai manteve o trato. No fim dos quinze dias, retornou mais esgotado que da vez primeira, disso não duvidava quando pisou de volta o terreiro do amigo para buscar ajustar conformação.

- Pois agora, meu filho, retire a vaca e o bezerro e sinta o gosto do paraíso em que vocês antes se achavam - completou o cigano, inteirando assim a lição.

Só desse modo o homem compreendeu aquilo de se dizer que desgraça pouca é bobagem e dos males o menor. Por vezes, diante de penúrias indescritíveis, o sofrimento se dilui na impossibilidade para sofrer um tanto mais e chega-se no limite da resistência, igual à bonança que vem depois das tempestades.

Bento XVI renuncia ao papado

Papa Bento 16 vai deixar o cargo dia 28

(Notícia veiculada na “Folha de S.Paulo” online, desta 2ª feira, dia 12-02-2013)

 Foto: Filippo Monteforte/France-Presse 

O Papa Bento 16 anunciou, nesta segunda-feira, que vai renunciar do cargo no próximo dia 28. O último Papa a renunciar foi Gregório XII, em 1415.O Papa disse em um comunicado que está "plenamente consciente da dimensão do seu gesto" e que renuncia do cargo por livre e espontânea vontade.Segundo o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, a notícia foi uma surpresa.  

Ainda de acordo com o documento, um dos motivos da renúncia seria sua idade avançada. O Papa tem 85 anos e sofre de artrite, especialmente nos joelhos, quadris e tornozelo.Joseph Ratzinger nasceu na Alemanha no dia 16 de abril de 1927 e é o pontífice número 265 da Igreja Católica e o sétimo Chefe de Estado do Vaticano. 

O papa viria ao Brasil em julho para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Um conclave será convocado para escolher o próximo pontífice. Até que um novo Papa seja escolhido, o posto ficará vago. Lombardi disse que o Vaticano espera escolher o substituto de Bento 16 até o final de março. 

O jornal "The Guardian" aponta o Cardeal Peter Turkson, de Gana, como um dos favoritos ao posto.
O pontificado de Bento 16 começou em abril de 2005, após a morte do Papa João Paulo 2º.

COMUNICADO

Leia abaixo a íntegra do comunicado do Papa Bento 16:
"Queridísimos irmãos,
Convoquei-os a este Consistório, não só para as três causas de canonização, mas também para comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. 

Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino. Sou muito consciente que este ministério, por sua natureza espiritual, deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também e em não menor grau sofrendo e rezando. 

No entanto, no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado. 

Por isso, sendo muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005, de modo que, desde 28 de fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro ficará vaga e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice. 

Queridísimos irmãos, lhes dou as graças de coração por todo o amor e o trabalho com que levastes junto a mim o peso de meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. 

Agora, confiamos à Igreja o cuidado de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista com sua materna bondade os Cardeais a escolherem o novo Sumo Pontífice. Quanto ao que diz respeito a mim, também no futuro, gostaria de servir de todo coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração. 

Vaticano, 10 de fevereiro 2013."

Flhos, Dádivas de Deus - por Magali de Figueirêdo Esmeraldo

Muitos pais e mães esquecem dos valores morais recebidos de suas famílias na infância e adolescência. E criam seus filhos bem distantes do mais importante na educação, que é a formação integral. A responsabilidade dos pais é preparar o homem como um todo, sem separar o corpo da alma. Será incompleta a orientação dos filhos, se os pais se preocuparem somente com a formação física, intelectual e social, esquecendo de incutir nos filhos o amor e o respeito ao próximo, a honestidade, a ausência de preconceito e discriminação de qualquer tipo. Esse conjunto de valores deve fazer parte do aprendizado das crianças, desde os primeiros anos.

Os filhos são dádivas de Deus. Portanto, os pais têm o dever de colocar na sociedade pessoas de bem para que o mundo seja transformado. Educar os filhos no amor, no diálogo é o caminho para construção de uma família ajustada e uma sociedade mais humana e mais justa. No lar onde existe tudo isso, com os pais sabendo impor limites, dizendo “não” quando necessário, com certeza se formarão adultos ajustados.

Vivemos em uma sociedade em que predomina o TER, em lugar do SER. Os meios de comunicação social, através da propaganda, incentivam o consumismo e levam as pessoas a acharem que a felicidade está no dinheiro, numa roupa cara, num carro do ano. Muitos para ter dinheiro e adquirir esses bens de consumo, procuram acumular riqueza desonestamente. Em consequência vemos aí uma sociedade injusta, violenta cheia de problemas: como as drogas, a corrupção e a injustiça social. Cabe aos pais darem testemunho aos filhos e colaborarem com uma sociedade onde exista justiça e paz.

De acordo com as palavras proferidas por Dom Rafael Lhano Cifuentes, Bispo Emérito de Nova Friburgo, no VII Congresso Nacional da Pastoral Familiar, realizado em Belém do Pará, em 1996: “A tarefa educacional dos filhos deve ser solidária. A firmeza e disciplina própria do homem têm que fundir-se à ternura e a amabilidade própria da mulher, de tal modo que a autoridade não parta somente do pai, e o carinho exclusivamente da mãe. A melhor pedagogia é o exemplo. Os pais devem ser para os filhos, guias que indiquem as passagens mais seguras. Têm que experimentar antes, as virtudes que os filhos devem encarar depois.“

Dom Cifuentes acrescentou ainda em sua palestra, trechos de uma carta, que um delinquente juvenil alemão enviou aos seus pais. “Porque sois fracos no bem, nos destes o nome de fortes no mal… nós vos concedemos dois decênios para nos fazerdes fortes no amor, vós porém nos fizestes fortes no mal, porque sois fracos no bem.”

A missão dos pais como colaboradores de Deus em sua infinita obra criadora é colocar no mundo pessoas honestas, ajustadas e que possam fazer os outros felizes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Sunday, February 10, 2013

Um burrinho à venda - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A vida é bela e o mundo não é somente dos vivos, mas também dos mais espertos. Há alguns anos, quando eu ainda trabalhava em Juazeiro, ouvi entre as muitas histórias atribuídas ao popular Lunga do Juazeiro, esta que segue. 
Nas eleições municipais de 1988, seu Lunga se candidatou a vereador daquela cidade. Gastou as pequenas economias que sua sucata lhe proporcionara na compra de milhares de pares de sandálias para convencer os eleitores. Ficou apenas com um velho burro de puxar carroça e uma rural presa na garagem de sua casa, pois a prefeitura do Juazeiro construiu um calçadão na rua onde seu Lunga morava. Seu Lunga se recusou a tirar o carro da garagem, alegando ao então prefeito, Manuel Salviano, que na sua casa o prefeito não mandava. Quando realizaram a apuração da eleição, os votos esperados por seu Lunga sumiram, e ele perdeu feio. 
Então, foi vender o único bem que lhe restava: o pequeno burro. Levou-o à feira dos animais, existente ainda hoje em todas as cidades nordestinas. Logo que seu Lunga chegou à feira com o burrinho, não demorou a aparecer interessado na compra do animal: “Quanto custa este burro, seu Lunga?” Perguntou um pretenso comprador. “Trezentos mil.” Respondeu seu Lunga, com aquela secura que lhe era habitual. “Dou duzentos no pau.” Replicou o comprador, utilizando uma gíria ainda muito em voga na região, que significa uma compra à vista. “Só vendo o burro inteiro.” Respondeu seu Lunga, com aquela sua polidez de trator de esteira, pondo fim, dessa forma, àquela inútil discussão.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nos passos do pai (matéria publicada no "Estado de S.Paulo" deste domingo)




Bem que o povo ensina: quem sai aos seus não degenera. O deputado federal Renan Filho, 33 anos, o mais votado dos candidatos alagoanos em 2010, depois de ter sido, como o avô e um de seus sete tios, prefeito de Murici, reduto do clã Calheiros, teve com quem aprender, e soube aprender depressa, que o nosso é apenas nosso, e que o dos outros é nosso também - a regra de ouro do patrimonialismo. Mal o seu pai se elegeu pela segunda vez presidente do Senado, sob denúncia do Ministério Público Federal por peculato, falsidade ideológica e utilização de documentos falsos, Filho ingressou no noticiário político pela via escusa e geralmente desimpedida da apropriação de bens públicos. No caso, as chamadas verbas indenizatórias com que o Congresso banca os gastos de seus membros com itens vinculados ao exercício de seus mandatos, como passagens aéreas, comunicações e aluguel de escritórios políticos - o que já de si é uma exorbitância.

Ontem, enquanto ainda ecoavam os gritos de "ladrão", "safado" e "sem-vergonha" que na véspera acompanharam Renan pai na subida da rampa do Congresso, este jornal revelou que o seu primogênito usou pelo menos R$ 190 mil daqueles recursos para pagar honorários de advogados de ambos, em causas privadas nas esferas cível e trabalhista. Não é de hoje: a lambança vem do início de 2011. Desde maio desse ano, R$ 10 mil pingam mensalmente nas contas do escritório Omena Barreto Advogados Associados, com sede em Maceió. A fonte pagadora, indiretamente, é a Câmara dos Deputados - o contribuinte, portanto. E há o clássico "pequeno detalhe". Conforme os registros da Receita Federal, o escritório foi fundado no mesmo mês em que começou a receber a mesada, apurou o repórter Fábio Fabrini.

Um de seus sócios, Rousseau Omena Domingos, tem procuração de Renan Filho para representá-lo no processo em que o deputado cobra indenização por danos morais e materiais do consórcio do qual adquiriu um veículo que não consegue vender porque a firma não levantou as restrições ao negócio - um caso pessoal e trivial. Rousseau, o advogado, não tem procuração para defender o político em nenhuma ação judicial que eventualmente envolva a sua atividade parlamentar. O deputado nega ter usado a verba indenizatória para custear os honorários do patrono. Alega que a utilizou, mas para remunerar o escritório por "serviços de consultoria e assessoria parlamentar na elaboração de projetos e relatórios", publicados no site da Câmara.

As respectivas notas fiscais foram apresentadas. (Em 2007, Renan pai apresentou notas fiscais de supostas vendas de gado a fim de provar que tinha recursos próprios para arcar com o pagamento de pensão à ex-namorada com quem tem uma filha, não necessitando dos préstimos do lobista de uma empreiteira para aquele fim. As notas são frias, sustenta o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.) Também no início de 2011, outro advogado de Maceió, José Marcelo Araújo, recebeu do gabinete de Renan Filho R$ 20 mil. No ano anterior, ele defendera no Tribunal Regional do Trabalho do Estado uma empresa de agropecuária da qual o seu pai é sócio. Na ação, uma trabalhadora rural alegou que prestara serviços à fazenda dos Calheiros com vínculo empregatício. A firma ganhou a causa.

Filho se recusa a dar explicações sobre a atuação do advogado no caso. "Ele trabalhou para outra pessoa", desconversa, aludindo ao pai. "Imagine se, quando você contrata (um advogado), tem de checar se prestou serviços para alguém", como se isso tivesse alguma relação com a procedência do dinheiro destinado aos seus honorários. Com a sua pouca idade, o deputado segue a senda do senador em quem se inspira na prática da embromação. No seu site, se lê que ele "já manifestava sua vontade de melhorar a vida das pessoas" quando se elegeu duas vezes presidente do centro acadêmico da faculdade de economia da UnB, onde se formou. Como prefeito de Murici, também eleito duas vezes, preocupou-se "com o bom uso dos recursos públicos". Parece o pai, ao reassumir a presidência do Senado, dizendo que "a ética é meio, não é fim" e "obrigação de todos nós".

Diversões do Crato nos anos sessenta. – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Quem já ouviu falar das tertúlias que ocorriam em Crato nos anos sessenta? Qual o adolescente ou jovem da época, que não freqüentou uma tertúlia? Nesse tempo o divertimento dos jovens do Crato era animado, além de econômico.

 Quem viveu nessa época sabe como essa diversão era saudável, não havia bebida alcoólica, nem outras drogas. O objetivo era dançar, se divertir, flertar ou namorar. Quem tivesse uma casa com sala ampla chamava os jovens que estavam na Praça Siqueira Campos, para participarem de uma tertúlia. Ninguém sabe como, mas de repente, todo mundo sabia onde haveria tertúlia naquele dia. Depois dos jovens reunidos, a radiola era ligada com os discos mais tocados na época: Roberto Carlos, os Beatles, e todas as músicas da jovem guarda. Lembro-me bem que participei de muitas tertúlias na casa dos meus primos Jefferson Albuquerque Júnior e irmãos. Como a casa era da tia Letícia, mamãe permitia que eu fosse. Entretanto, muitas vezes tinha que fugir, pois ela me proibia de ir, dizendo que não queria que eu fosse “um piolho de festas”. Lembram desse termo? Acho bastante engraçado! Embora eu tivesse certeza que meus dois irmãos mais velhos estariam lá e, eles contariam a mamãe da minha presença na tertúlia; mesmo sabendo que ia receber uma reprimenda, valia a pena participar de tão agradável diversão. A idade de treze anos faz os pais se preocuparem com os filhos. Entretanto, nessa época esse tipo de festa, não tinha perigo nenhum. Uma vez fui a uma tertúlia na casa de seu Pierre. Dancei com Carlos e hoje ainda lembramos que não imaginávamos naquela época, que um dia, seríamos marido e mulher. Ele afirma que já simpatizava comigo. Mas ainda não era o momento de iniciarmos o namoro devido à minha pouca idade.

Outra grande diversão eram as matinais do domingo no Crato Tênis Clube. Ali também se reunia a mocidade. Essa eu podia participar, uma vez que papai e mamãe gostavam de ir, levando toda a família.
 
Havia também as grandes festas do Crato Tênis Clube à noite, tocadas pelos conjuntos: “Hildegardo e Seu Conjunto”, “Ases do Ritmo” de Hugo Linard e do seu pai, seu Irineu, “Ivanildo e seu Conjunto”, os “Águias” e outros. Muitas pessoas mesmo sem gostar de dançar iam às festas para apreciar os pares que dançavam muito bem. Quem não se lembra de Salete Libório, dançando com Seu Libório, Paulo Leonardo e Vanda, Mariquinha Feitosa e seu esposo, todos eles casais “Pés de Valsa” do Crato daquela época.

No carnaval havia festas no Crato Tênis Clube que eram bastante conhecidas. Muitos foliões vinham de fora para passar o carnaval em Crato. Durante os festejos carnavalescos, além das matinais do domingo e da terça-feira, à noite o clube ficava iluminado para mais um baile de carnaval. Na quarta-feira de cinzas, todos que estavam na festa saiam acompanhando a orquestra para o encerramento do carnaval na Praça Siqueira Campos. A Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB) promovia também muitas festas e carnavais. No carnaval de rua, havia o corso. Eram vários carros desfilando com todos bem fantasiados.

Lembramos também dos cinemas que eram muito freqüentados, o Moderno, o Cassino e a Educadora.

Outra coisa que ficava lotada era a Quadra Bicentenária para as partidas do futebol de salão.

A Praça Siqueira Campos enchia-se de jovens nos fins de semana. Era de lá que os jovens marcavam encontro para irem aos cinemas, às tertúlias ou outros programas como serestas e luaradas.

A Praça da Sé era um local para os casais namorarem nos bancos, à sombra dos oitizeiros e outras árvores. Era mais sossegada do que a Praça Siqueira Campos. Em setembro, durante a Festa da Padroeira, a praça ficava toda iluminada, repleta de barracas de cachorro quente, pipoqueiros, vendedores de filhós, charutos, roletes de cana, bombons, enfim comida para todos os gostos. Uma multidão de cratenses enchia a praça, para assistir a novena e participar das atrações.

Outro evento conhecido no Crato e que já era muito animado nos anos sessentas, era a Exposição Agropecuária. A casa dos meus pais ficava localizada na Rua Leandro Bezerra, subida para a Exposição. Eu e minhas amigas sentávamos em uma pequena mureta que acompanhava o jardim da nossa casa. Ficava impressionada com a quantidade de pessoas que passava em direção a Exposição. Hoje o fluxo de pessoas é bem maior.

Falar do Crato dos anos sessenta, não é tirar o mérito do Crato de hoje. É só para lembrar que os jovens ou adolescentes daquela época, que hoje estão chegando aos sessenta anos, que aquele era um tempo feliz. Podemos contar para os filhos e netos que no futuro também irão relembrar os momentos felizes da juventude deles, pois “recordar é viver”.

A infância, a adolescência e a juventude, são fases da nossa vida que servem para alicerçar a vida adulta. São essas experiências vividas na infância e juventude, que nos fizeram amadurecer para nos tornamos adultos equilibrados e felizes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Outros nomes da vaidade - Por: Emerson Monteiro


Mágoas, ou melindres, as denominações que representam a clássica vaidade – expressões do mesmo tipo de sentimento negativo que só atrasa a evolução. Chegam cobertos de falsas razões, cercam os modos de comportamento e firmam pés na alma, quais protagonistas de dramas suburbanos, peças de preguiça moral que constrangem e machucam tantos.

A psicologia prática funciona assim quando mal utilizada, encharca de motivos inúteis o terreno da compreensão, observando a ação dos outros da humanidade, espécie de radar para fugir da raia das atitudes coerentes. Coleta aqueles pretextos de egoísmo e corre os corredores da existência, na intenção de fugir da evolução, querendo demorar no samba do erro. Com isso, atrasa a possibilidade do crescimento espiritual. Fica ali rondando cada passo no ponteiro das horas, séculos cobertos de argumentos esfarrapados para permanecer nos vícios.

As mágoas expelem o tóxico do orgulho, bucho inchado das lamas acumulados no medo de avançar os mistérios da perfeição. Operador da máquina individual, o ator permanece vítima de si próprio, guardando trunfos de ácidos corrosivos nos depósitos que serviriam ao desenvolvimento da personalidade, fossem melhor preenchidos.

Já os melindres expressam o instinto de conservação do que significa a importância criada na força do desejo de dominar. Ferido na autovalorização que produziu, o cidadão evita os acontecimentos, a real dimensão de si, atolado nos conceitos de imagens elaboradas longe da Verdade. Padece da enfermidade que inventou nas noites escuras do isolamento, qual rei sem coroa. Constrói a cama da solidão e nela deita, feito soberano de mundos imaginários, porém conquistados na alienação.

Ah, quanta valia jogada nas latas do lixo, tempos preciosos largados longe da construção essencial da Felicidade. Pobres melindrosos, magoados nas arestas da ilusão, vítimas do comodismo, presas da estagnação...

Todos possuem o peso certo de perfeição, sim, pois mais tarde ou mais cedo podem chegar na transformação principal, no entanto longe das balanças dos egos ambulantes que repassam tais respostas erradas, mágoas e melindres. Há descobertas justas aos desafios, sem esses enganchos. Só levantar os olhos da consciência e obter ganhos de luz que clareiam no horizonte o Infinito.