SÃO PAULO - O mercado de câmbio doméstico voltou hoje a ser guiado pelo cenário externo. O dólar subiu desde cedo ante o euro e o real porque o socorro da União Europeias e do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Irlanda não dissipou os temores de contágio da crise da dívida soberana do país para outros vizinhos, como Portugal, disse um operador de uma corretora de câmbio. À tarde, as cotações da moeda também foram pressionadas pela piora das Bolsas norte-americanas, com a notícia de que o FBI realizou buscas em dois fundos de hedge em Connecticut dentro de uma investigação de insider trading em grande escala que foi antecipada no sábado pelo Wall Street Journal.O dólar comercial fechou em alta de 0,58% a R$ 1,728 no mercado interbancário de câmbio. A taxa máxima registrada durante as negociações de hoje foi de R$ 1,73 e a mínima, R$ 1,711. No mês, o dólar acumula alta de 1,53%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subiu 1,04% e fechou a sessão cotado a R$ 1,7283. O euro comercial teve leve variação de 0,09%, cotado a R$ 2,348. O Banco Central realizou leilão de compra de dólares mais tarde que o habitual (por volta das 16h30), no qual a taxa de corte das propostas foi fixada pelo BC em R$ 1,7288.
No câmbio turismo, o dólar subiu 0,89% para R$ 1,823 (venda) e R$ 1,65 (compra). O euro turismo valorizou 0,81%, cotado em média a R$ 2,477 (venda) e R$ 2,263 (compra).
Na Europa, apesar de os consumidores dos 16 países que usam o euro estarem menos pessimistas sobre as perspectivas futuras neste mês, um pedido do Partido Verde da Irlanda, que é parceiro do governo de coalizão, para que sejam realizadas eleições gerais na segunda quinzena de janeiro de 2011, ajudou a reforçar o mau humor dos investidores. O euro caiu abaixo de US$ 1,37 após a notícia e não teve forças para se recuperar durante a sessão. Pesou negativamente também o alerta da Moody''s sobre um possível rebaixamento múltiplo da nota da Irlanda, que hoje é Aa2, grau de investimento. Os detalhes sobre o acordo da UE e FMI com a Irlanda, que poderá ficar em algo entre 80 bilhões e 90 bilhões de euros, devem ser revelados esta semana.
As especulações no mercado envolvendo Portugal irritaram o primeiro-ministro, José Sócrates. Ele insistiu que o país está numa situação diferente da Irlanda. "Portugal não tem problemas em seu sistema financeiro, Portugal nunca teve uma bolha imobiliária e nossa situação orçamentária não se compara" com a da Irlanda, afirmou. "Ouvi muita conversa sobre o FMI. O país não precisa de nenhuma ajuda, o que precisa é fazer o que é necessário, ou seja, que aprove o Orçamento (de 2011)", disse Sócrates.
AE - Agência Estado
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