Pioneirismo do Crato nas Artes Cênicas Cearenses
Por : J. Flávio Vieira
“Assim o Timbira, coberto de glória,
guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
do que ele contava,
Tomava prudente: "Meninos, eu vi!”
Gonçalves Dias ( I-Juca –Pirama)
À memória de Dr. Raimundo de Oliveira Borges
À Guisa de introdução
juiz substituto, que chegara em Crato em janeiro de 1900, e trazia nos alforjes a influência marcante de Recife , teria sido ele que, ainda àquele ano, fundou o grupo que revolucionou os costumes da região, ao encenar : “Crato de Alto a Baixo” . Resaltavam-se os primeiros membros do “Romeiros”: Ernesto Piancó, Manuel Belém de Figueiredo, Miguel Limaverde, Raimundo Gomes de Matos, Celso Rodrigues, Joaquim Fernades, José Bizarria, Raimundo e Antonio Norões, , Joaquim Tavares Campos, Celso Gomes de Matos, Henrique Teles, Francisco da Franca , Artur Gomes,Alfredo Nunes, Fantina e Donana Aires, Lica e Maria Garcia, Etelvina Gonçalves, Elisa e Júlio Milfont de Amorim. Fazia ainda parte do grupo Luiz Gonzaga, o Gonzaguinha, muito provavelmente o nosso primeiro fotógrafo. Depois, na Biblioteca Menezes Pimentel, observando a microfilmagem do “Vanguarda”, jornal cratense dos idos de 1870, vi a publicidade de algumas peças de teatro, anteriores pois ao “Romeiros”, mas que me pareceram peças itinerantes e não de grupos locais bem sedimentados. Há alguns meses, o Prof Ricardo Correia me confidenciou que em pesquisa sobre a história do teatro caririense, havia descoberto um grupo cratense de artes cênicas nos meados de 1850, o que me pareceu de todo inverossímil. Recentemente a Fundação Waldemar Alcântara republicou uma edição fac-similar de “O Cariri: seu descobrimento, povoamento, costumes”, posto a lume por Irineu Pinheiro(Foto 2) em 1950.
O livro é simplesmente fabuloso, narra deliciosamente, uma história do cotidiano da nossa vila desde os seus primórdios, uma espécie de história da vida privada caririense, com foco no dia a dia das nossas personalidades mais populares, nos nossos costumes e festins. No Capítulo em que se detém sobre a Praça do Rosário de Crato, atual Juarez Távora ou São Vicente(Foto 3), me veio a surpresa que um dia, certamente, já havia tornado também estupefato o Prof Ricardo Correia.
Travessa do Rosário - 1889
Teatro de Todos os Santos

“O Abaixo-Assinado, Tesoureiro da Sociedade Melpomenense do Teatro de Todos os Santos, faz público aos sócios que, tendo desabado parte do tecto do edifício, prometendo uma completa ruína à toda casa, é de absoluta necessidade que se reúnam todos os sócios no dia 06 de Agosto próximo futuro, a fim de deliberarem a respeito. Crato, 29 de julho de 1857”

O mais provável é que a Sociedade Melpomenense de Crato homenageasse Melpômene, até porque dirigia-se ao ensino das artes cênicas, sendo improvável uma relação maior com a sua congênere lusitana. Revirei as edições outras de “O Araripe” referentes aos anos de 1859-1862 e não encontrei qualquer outra alusão a esta nossa Sociedade. O que teria , finalmente, acontecido com a nossa primeira casa de espetáculos, após a reunião? Ruiu? Foi reparada? Irineu conclui, no seu artigo, que o teatro teria desabado na derradeira metade do ano de 1857, em que fonte teria se baseado para esta conclusão ? Observei, também, que Irineu Pinheiro não registrou o nome do Tesoureiro responsável pela convocação em Agosto/1857, ou seja não temos um nome sequer dos diretores do nosso Teatro de Todos os Santos. A importância de se pesquisar dados relativos ao Teatro de Todos os Santos me parece fundamental. Ele é anterior ao Teatro São Joaõ de Sobral( 1875) e , embora não saibamos ainda o ano de sua fundação, aproxima-se bastante daquele que é considerado o primeiro teatro cearense, o da “Ribeira dos Icós” de 1840.
Texto e Pesquisa : José Flávio Vieira
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