Tuesday, September 18, 2012

CRONIQUETA - POR ANTONIO MORAIS


Este magnifico soneto foi publicado no "Jornal a Semana" edição de  21 de Junho de 1951. Trata-se de uma bela obra literária. Estou publicando para ver se algum leitor conhece  informações do autor Alves de Oliveira.

Segue:

Tanto me afiz bela urbe, a tua natureza
Pelos meus respirada, exuberante e pura,
Que, ausente dos teus céus, nas horas de ternuras
Afloras-me ao cismar, bem fadada princesa.

Venho as auras haurir-te. E ao ver-te, que leveza
Blandiciosa me invade, e se aviva, e perdura,
Sentindo-me ingressar na região da fartura.
Sentindo-me extasiar na zona da beleza.

E o Cristo Redentor, e as torres, e a serena
Verdura a emoldurar te... Em fim, para que a pena
Deslize no papel, feliz, ágil, fagueira.

Basta-me a aparição, na tarde que se encerra
De uma casa a alvejar num côncavo de serra
Ou o simples flabelar de um leque de palmeira.

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