Mesmo local, duas épocas, dois cenários
Ao lado, o Rio Grangeiro ( ou das Piabas) na década 30. Acima o Rio Grangeiro em 29 de janeiro de 2011
Tudo isto foi maltrato para o outrora manso Rio das Piabas. Não satisfeito, o progresso urbanizou o rio, fazendo o canal de concreto e, obviamente, o rio não gostou e as piabas muito menos. De tudo isto nasceu a catástrofe de 28 de janeiro próximo passado. Maltratado e enfurecido, como um bravio touro amordaçado pelo progresso, o pacato Rio das Piabas, atual canal do Rio Grangeiro, assim respondeu nos maviosos versos de José Peixoto Júnior, outrora, como eu, ginasiano do saudoso Ginásio do Crato:
“O céu abriu-se em buraco,
Por trás da nuvenzinha
Que vazou tudo o que tinha
Enchendo casa e barraco,
De pau grosso fez cavaco,
E o rio pelo maltrato,
Deixou um triste retrato
Nunca visto por aqui:
O miolo do Cariri
Desceu nas águas do Crato!”
(*) Napoleão Tavares Neves, médico, escritor, historiador, memorialista e cronista.
Foto do canal atual: Wilson Bernardo
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