Sunday, January 10, 2010

POEMA: Araripe, o céu do Cariri

Por José Cícero*
Ai de ti Araripe
Porque a semente do mal
Vai subir a serra.
Ai de ti Araripe
Porque a elite
Vai ao teu encontro
Acometida pelo vírus
de plena gripe.

Araripe,
Te cuida
A elite tem sede
De sangue e metal.
E todo o mel
Que tu já deste
Aos caririenses
e ao ecossistema do mundo,
Agora tem seu troco.
Sal da fauna humana
Maldade dos homens.
Poluição,
moto-serra
A te ferir de morte.
Tanto ódio
E o veneno da química
Dos ensandecidos
debaldemente imaginando
Que conseguirão
comer dinheiro.

Ai de ti Araripe
Te preparas pra morrer.
E ninguém haverá
De assistir sequer
o “formidável da tua última quimera”;
Porque o teu féretro será solitário.
Porque ninguém estará mais aqui,
Para colocar a última pá de terra
Sobre teu caixão ecológico.
E tampouco,
Vislumbrará a última flor de lótus.

Ai de te Araripe.
Vela por nós
Enquanto há tempo.
de tempo ser...
Porque primeiro
Morreremos nós,
Quando te matamos.
O fim das florestas
é o suicídio coletivo
do mundo.
A autodestruição
de todas as espécies.

Araripe, Araripe!
Deus queira
Que o céu
Seja teu limite...
(*) José Cícero
Prof. Poeta e Escritor
Secretário de Cultura
Aurora-CE.

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