Friday, October 23, 2009

CARIRI - Construção Civil é o setor que mais cresce no Cariri - Reportagem: Elizângela Santos


CONDOMÍNIO RESIDENCIAL em construção na cidade de Juazeiro do Norte, onde investimentos públicos e privados aquecem o setor, gerando renda e empregos para a população (Foto: ELIZÂNGELA SANTOS).

TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO Civil em Juazeiro do Norte participam de curso de qualificação, uma necessidade cada vez mais crescente na região Municípios do Cariri, especialmente Juazeiro, têm ampliação do mercado de trabalho na construção civil.

Juazeiro do Norte. O mercado da construção civil na região do Cariri é o que mais cresce e emprega nos últimos anos. Em 2009, os números refletem essa realidade de forma surpreendente em relação ao ano passado. Segundo dados do Sistema Nacional de Emprego - Instituto de Desenvolvimento de Trabalho (Sine/IDT), o setor é disparado o que mais emprega. Este ano, são 18% no nível de empregabilidade em relação aos 4% do ano passado. Este setor ficou à frente do comércio, que registrou crescimento de apenas 4% em relação ao ano passado. Somente no município juazeirense, segundo dados do Sindicato dos Empregados da Construção Civil, estão atuando tanto com carteira assinada quanto informalmente cerca de 9 mil pessoas. Nas obras há carência de profissionais qualificados.

As construções diversificadas nos setores público e privado têm dado uma grande contribuição para esse crescimento. As universidades, ampliação de comércio, a transferência de funcionários públicos federais, ampliação de setores como a saúde e a educação têm atraído os profissionais para a cidade, contribuindo principalmente para a construção de condomínios residenciais e edifícios. Esse processo tem contribuído para a verticalização da cidade. Tanto é que empresas aumentam investimentos na construção dos novos prédios. Na Lagoa Seca, considerado bairro nobre da cidade, esse novo perfil urbano tem se tornado mais evidente e são comuns as construções em diversas áreas da localidade. São vários condomínios de classe média sendo erguidos na cidade. As construtoras investem pesado, mas há carência de dados que evidenciem de uma forma real esse crescimento. A superintendente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Ceará no Cariri, Patrícia Coelho, afirma que tem dificuldades de reunir todos os esses números para ter, pelo menos, uma realidade aproximada.

União do setor

Ela diz que é cada vez mais evidente a necessidade de uma mão-de-obra qualificada. "O mercado está pedindo", afirma. Outro ponto importante tem sido a necessidade de união maior dos construtores para que o setor se torne mais forte e haja uma facilidade maior até na aquisição de insumos. Ela afirma que, mesmo com todas as obras em construção na cidade, inclusive as de grande porte, há muitas na informalidade. Também ressalta a deficiência de profissionais para fiscalização. No sindicato estão registradas cinco construtoras e isso facilita o trabalho dentro de um processo de legalização. E a preocupação no que diz respeito à mão-de-obra para o próximo ano já é evidente. Houve uma solicitação da administração municipal para a construção de cerca de 4 mil casas pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), além de várias obras públicas que estão sendo executadas na região, absorvendo o potencial existente. Patrícia é também diretora administrativa da Construtora Raimundo Coelho (CRC) na cidade, que tem investido em condomínios horizontais. Ela revela que uma das preocupações tem sido também neste novo perfil que a cidade assume em edificações. "Esse tem sido um ponto que não abrimos mão, porque é importante levar em consideração questões ambientais, por exemplo", explica.

Atualmente, no bairro Lagoa Seca, está em construção o segundo maior prédio residencial do Estado. Segundo o construtor da obra, José Moreno, são cerca de R$ 10 milhões investidos em uma obra que emprega mais de 70 profissionais. O prédio terá 26 andares. Até o momento são 19 andares construídos e a previsão é terminar a obra em janeiro de 2011. Mas a obra em espaço urbano que detém o recorde de empregabilidade tem sido a do Hospital Regional do Cariri que caminha em ritmo acelerado. São cerca de 400 pessoas, e, a cada mês, segundo a gerente da Unidade do Sine/IDT de Juazeiro do Norte, Conceição Araújo, a cada mês são solicitados de 60 a 70 profissionais para a obra. No próprio canteiro de obras há placas de diferentes tipos de profissionais da construção. Uma das alternativas que construtores encontram para suprir a necessidade de profissionais qualificados é investir no treinamento do pessoal e, a partir do próximo ano, começar a treinar mulheres para a parte de acabamento das obras. Esse projeto é feito pela construtora CRC. Patrícia admite que tanto ganha o profissional da construção civil como o empresário, com a qualificação. A parceria com o Sesc fez com que abrisse uma sala de aula dentro da própria construção. O índice de analfabetismo entre os profissionais da construção é muito alto. Ela calcula que 90% dos serventes de pedreiros mal sabem assinar o próprio nome.

MERCADO

O mercado está em ebulição e podemos reunir vários fatores para contribuir com esse crescimento"
Patrícia Coelho
Sind. da Ind. da Construção Civil

TRABALHO

9 MIL pessoas estão atuando com carteira assinada e na informalidade na construção civil, em Juazeiro do Norte, líder do setor na região do Cariri

DEMANDA POR CAPACITAÇÃO

Mercado quer mão-de-obra qualificada

Juazeiro do Norte.
No próximo ano vai faltar profissional. Essa é a perspectiva do presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil, José Galdino Neto. Ele próprio tem se assustado com a grande demanda na região e o crescimento do setor. A grande preocupação nesse momento é qualificar pessoal e, para isso, a própria entidade está lutando junto aos setores públicos para conseguir cursos de qualificação em diversas áreas.

Ele afirma que os salários estão quase equiparados aos da Capital do Estado. "Juazeiro do Norte detém um dos maiores salários do Interior do Nordeste", afirma ele. Atualmente, um servente de pedreiro ganha em torno de R$ 480 e o pedreiro por volta de R$ 700, até fevereiro. Este salário está R$ 30 abaixo dos profissionais de Fortaleza. Um dos grandes problemas que, segundo Galdino, impede até que ele permaneça por mais tempo no sindicato é a informalidade do setor. A maioria dos profissionais que estão na informalidade atua nas pequenas obras. O mercado pede maior qualificação, inclusive para as construções mais sofisticadas. Para a coordenadora Regional Sul do Sine/IDT, Ariadne Albuquerque, o crescimento do mercado da construção civil impressiona na região, dando espaço para outras empresas se instalarem, a exemplo do comércio de móveis mais sofisticados e profissionais da área de ambientação e arquitetura. São lojas filiais de grandes lojas que já atuam na Capital.

Ela afirma que o crescimento na construção civil se evidencia desde 2005, com a interiorização do Governo do Estado. Em vários municípios da região estão sendo realizadas obras, como estradas, praças, delegacias, as obras da transposição do Rio São Francisco, da Transnordestina, o Hospital Regional do Cariri, Ceasa, Centro de Convenções, Biblioteca de Patativa, entre outras. E vem também a construção no setor privado. "Então, são os dois setores que estão impulsionando esse mercado", diz.

Contratação de engenheiros

Só este ano, em Juazeiro do Norte, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Sine/IDT, foram encaminhados pelo órgão para o mercado de trabalho 522 profissionais. Esse número também aumentou nas cidades de Crato e Barbalha. Foram encaminhados para o Crato três profissionais da Engenharia Civil. E esta é uma preocupação. Os profissionais de nível superior também estão de olho na região. O curso de Edificações, Topografia e Estradas, da Urca, além do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará (UFC) poderão suprir essa demanda, nos próximos anos. Atualmente estão cadastrados no Sine /IDT sete engenheiros, 351 eletricistas, 122 bombeiros, 331 pintores, 998 pedreiros, 3.121 serventes, 22 ferreiros, 21 técnicos de edificações e 141 carpinteiros. Esse é o número de pessoas registradas. Mesmo tendo mais no mercado, uma coisa se observa: os pedidos de contratação de novos profissionais são constantes.

Mais informações
Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Cariri)
(88) 3571.2012 / 3571.1075


ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter do Diário do Nordeste
Colaboradora do Blog do Crato e Jornal Chapada do Araripe

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