Rio de Janeiro, 22 out (Lusa) - O Brasil tem um papel importante a desempenhar nas discussões climáticas e deve liderar o caminho da sustentabilidade com um modelo de desenvolvimento voltado para os países tropicais, afirmam especialistas em clima que defendem uma agenda verde. “O Brasil deve ser um líder dos países tropicais em desenvolvimento, não há um modelo de desenvolvimento para estes países e o Brasil, efetivamente, é o que pode fazer algo a respeito”, disse à Agência Lusa Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Segundo Nobre, Prêmio Nobel da Paz em 2007 juntamente com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o Brasil pode assumir compromissos importantes na reunião sobre as alterações climáticas patrocinada pelas Nações Unidas que vai realizar-se na Dinamarca, em dezembro. Isso pode acontecer principalmente no que diz respeito à emissão de gases de efeito estufa, pois a emissão per capita do brasileiro é uma das maiores do mundo em desenvolvimento.“Ainda exploramos de forma tímida as nossas riquezas porque nos falta tecnologia para um país tropical”, destaca Nobre ao realçar a diversidade de recursos naturais disponíveis no país, como água, plantas, animais e biodiversidade. Assim como o pesquisador, o superintendente de Conservação da Rede WWF-Brasil, Carlos Alberto Scaramuzza, afirma que o Brasil é líder mundial em tecnologia de monitorização para a cobertura de floresta tropical e que poderia contribuir exportando conhecimentos. “O Brasil poderia exportar essa tecnologia de monitorização para a Indonésia e para os países da África”, defende, pois a Indonésia é a segunda grande região de floresta tropical do mundo e o Congo é a terceira maior região de cobertura florestal. “Com inteligência para identificar os pontos de desmatamento, o Brasil poderia exportar essa tecnologia se virasse um projeto de governo. Contudo, a questão ambiental fica circunscrita a um único ministério”, critica Scaramuzza. Para ele, não é só o etanol que o país pode exportar para o mundo já que o “Brasil tem um monte de outras coisas que poderia exportar, mas precisaria estar na agenda do Ministério das Relações Exteriores do Brasil”, explica. Além da redução do ritmo de emissão de gases que provocam efeito de estufa, os especialistas concordam com o incentivo ao uso dos biocombustíveis que poluem menos do que veículos movidos a combustível fóssil. O Brasil tem como objetivo substituir a gasolina pelo etanol até 2020. Atualmente, o uso das duas fontes de energia é equilibrado. A questão do petróleo como uma fonte de energia ainda é sensível, como explica Nobre, que defende maiores investimentos em energias renováveis. O Brasil, segundo ele, não pode depender do pré-sal. Embora o presidente Lula tenha afirmado no início de outubro, na Suécia, que o Brasil não poderia assumir uma meta de "desmatamento zero", o plano brasileiro é considerado ambicioso por muitos especialistas, pois pretende reduzir a desmatamento em 80% até 2020. O desmatamento é responsável por cerca de 20% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, que é o quarto maior emissor do mundo.
Fonte: Agência Lusa
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