A eletrificação do Cariri pelo sistema energético Paulo Afonso está completando 50 anos de inauguração.O projeto foi uma iniciativa do então professor universitário de economia e administração, José Colombo de Sousa, que foi prefeito do Crato na década de 30, depois deputado federal e presidente do Tribunal de Justiça de Brasília. Em 1949 ele chefiou uma excursão dos concludentes do curso de administração e economia a cidade baiana de Paulo Afonso para conhecer a casa das turbinas e lá se inteirou sobre a possibilidade do Cariri vir ser incluído no projeto de eletrificação do Nordeste.
No dia 19 de novembro do mesmo ano, em uma plenária festiva do Rotary Clube do Crato, Colombo de Sousa proferiu palestra sobre o tema e lançou a criação do comitê pro eletrificação do Cariri e subseqüentemente a instalação da Sociedade de Eletricidade do Cariri ( SOELCA ) com a finalidade de vender ações para o seu suporte econômico e que logo foi transformada em Companhia de Eletricidade do Cariri (CELCA ). Em julho de 1960 veio a região o ministro da guerra, marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott e fincou o primeiro poste simbólico na Avenida Padre Cícero em Juazeiro do Norte, próximo a linha férrea onde hoje é um supermercado.
Após este evento, em 1961 uma comissão formada por políticos, jornalistas e representantes da CELCA, foi até Paulo Afonso para acompanhar o acionamento da turbina do Cariri e sucessivamente aconteceram as instalações e distribuição de redes nas cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha. O teste oficial aconteceu no dia 10 de dezembro e a inauguração no dia 28 do mesmo mês e ano na praça do socorro em Juazeiro do Norte. Foi uma das maiores festas do século e o acontecimento foi um marco na redenção econômica do Cariri, ao ponto de atrair a atenção do engenheiro norte americano, Morris Asimow, reitor da Universidade da Califórnia que em 1962, em parceria com o governo cearense, Banco do Nordeste, Universidade Federal do Ceará e a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, trouxe ao Cariri 5 grandes empresas. No Crato foi instalada a Indústria de Moinhos do Cariri Sociedade Anônima IMOCASA, em Juazeiro uma fabrica de madeira prensada usando como matéria prima o marmeleiro POLITEX e a Eletro Maquina na produção de rádios portáteis e de mesa. Para Barbalha foram também duas indústrias a Cerâmica do Cariri Sociedade Anônima CECASA e a Indústria Barbalhense de Cimento Portland IBACIP.
Antes da chegada da energia de Paulo Afonso, a iluminação publica nas cidades do Cariri era feita por candeeiros movidos a querosene e colocados em postes. No Crato, por exemplo, um funcionário da prefeitura abastecia as lamparinas no inicio da noite, isto até o ano de 1915 quando, então, com a chegada da fabrica aliança, de beneficiamento de algodão, fez parceria com o poder publico municipal para montar uma empresa de energia elétrica, denominada de Hidroelétrica da Nascente, uma das primeiras do Nordeste, aproveitando as águas das fontes naturais do Sopé da Serra do Araripe.
Esta empresa foi inaugurada no dia 4 de dezembro de 1938 pelo prefeito Alexandre Arraes. Com o crescimento da população e conseqüentemente do consumo, logo as turbinas perderam as forças e a energia gerada já não era suficiente para o abastecimento da cidade. Com o advento da energia de Paulo Afonso, a Hidrelétrica da Nascente passou a abastecer somente ao Lameiro, Belmonte e Guaribas.
Wilson Rodrigues e Huberto Cabral
Na foto: Jornalista Huberto Cabral - Por Dihelson Mendonça
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