Bom Domingo! bom descanso. Aproveito esse pequeno intervalo entre o café e o almoço para trazer aqui um tema interessante, que há tempos gostaria de expor no Blog do Crato, como uma peculiaridade que tenho observado no meu convívio diário em cerca de 45 Blogs.AS PESSOAS, A SENSIBILIDADE E OS INIMIGOS
Tenho notado ao longo de um convívio de mais de 15 anos na internet, por exemplo, que pessoas mais IDOSAS, quando começam a participar de Blogs, se magoam com extrema facilidade. Basta um pequeno comentário num tom um pouco mais forte, e se contiver alguma crítica, que essas pessoas podem deixar o(s) Blog(s) sem aviso prévio. O Blog do crato perdeu ao longo dos anos, diversos leitores idosos por conta desta aparente super sensibilidade. E é muito comum eu presenciar desde 1994, a saída de gente um pouco mais idosa de outros fóruns da internet de que já pude ler. Vi brigas, discussões, e coisas simples que provocaram danos derríveis. Às vezes, apenas a maneira de se dizer uma determinada frase. Logo que chegam, essas pessoas acham tudo uma maravilha, pensam em termos de comunidade e de rever os amigos. Quando começam os debates, se a opinião daquela pessoa é contestada, elas levam para um terreno puramente pessoal e saem do Blog ou do Fórum, a não ser que você os procure pedindo mil desculpas e explicando como é o passo do Blog ou do Fórum aos desavisados.
Creio que isto se deve ao conjunto de valores defendidos por essas pessoas e a forma arraigada a certos conceitos inerente à educação que receberam, que é apenas diferente. Elas vêm na contestação, uma verdadeira ofensa às suas crenças e convicções mais íntimas. Quando eu comecei a frequentar blogs, mesmo jovem, sentia-me incomodado a que outros discordassem de minhas posições, e isso ainda incomoda, tanto quanto a qualquer ser humano, mas a forma de lidar com certas críticas, é que vai moldando o nosso aprendizado na internet. Na verdade, antes da internet, estávamos muito mal acostumados com os LIVROS. Livros eram meios de se propagar idéias sem que ninguém pudesse discordar, ou se discordava, dificilmente as críticas conseguiriam chegar aos ouvidos do autor. Hoje, isso se faz de forma imediata. Escrevemos um artigo, passamos meses pesquisando um tema, com extensa bibliografia, cercamo-nos de todos os argumentos possíveis e provados pela ciência. Poderíamos publicar num livro. Mas não! publicamos na internet, e logo vem umas 30 pessoas denegrir nosso "primoroso" trabalho, o que geralmente causa aquela famosa "indignação". Mas isso é preciso compreender como parte integrante da nova mídia que é interativa. Não vivemos mais numa sociedade de valores incontestáveis. Quem quiser, que defenda suas posições, pois o MUNDO é quem irá debater as idéias.
A Internet possibilitou por exemplo, que o Einstein possa publicar a sua teoria da Relatividade, e dentro de 1 hora, teríamos mais de 100 pessoas criticando-o e alguns mais afoitos até o difamando por conta das idéias contrárias. Essa é a famosa arena virtual, os leões estão à solta, e não há nenhum meio democrático para conter. Qualquer meio de repressão ao livre pensamento, soa o que de fato é: Repressão à liberdade.
A nternet, resumindo, possibilitou que catedráticos possam discutir com leigos, ou pior, que autoridades em determinado assunto possam ser contestados por gente sem o menor conhecimento na área. Isto eu vejo como uma coisa muito ruim, mas pergunto: Existe solução ? Por outro lado, tenho observado que a sensibilidade exagerada a críticas não ocorre muito com jovens, e mesmo com pessoas mais velhas, se elas aguentarem o primeiro mês dentro das discussões e entenderem como é o passo das coisas. Aos poucos vão se acostumando.
Trazendo um pouco desse assunto para a prática, e para a nossa realidade, aqui no Blog do Crato, felizmente, temos pessoas de mente muito aberta; Pessoas que posso dizer que amadurecemos juntos nessa difícil arte da convivência virtual, da tolerância, e que não se abatem com facilidade. Dou exemplos: Prof. Armando Rafael, Dr. José Flávio Vieira, Antonio Morais, Carlos E. Esmeraldo, Magali, e até mesmo o José Nilton Mariano ( a quem tenho grande estima ), são pessoas que não se magoam por bobagem ( raras vezes, por algum mal-entendido, que sempre deixa margem de uma reparação ). A gente já teve cada "PEGA" por aqui, mas somos muito amigos. Agora, os principiantes, infelizmente, tem esse problema de se magoar com facilidade nas discusões, porque eles levam o que se diz nos Blogs muito a sério, como se tudo aquilo que se escreve fosse uma espécie de carta de nível pessoal. Não é bem assim!
Com o passar do tempo, essas pessoas sensíveis demais, em conseguindo permanecer nos fóruns virtuais, vão engrossando o couro, e percebendo que as discussões podem ir às raias das fagulhas, mas há uma linha ainda tênue entre a discussão e a briga.
Pessoas super sensíveis tem que passar muito tempo apenas observando antes de dar os primeiros passos nos Blogs, a não ser que relevem muitas coisas. Eu digo sinceramente: A maioria das coisas que se grita nos Blogs é apenas da boca pra fora, e nada disso altera as amizades ( pelo menos as verdadeiras amizades ) entre as pessoas. É preciso "engrossar o couro", e ver que o que se discute são idéias, e que críticas, mesmo em brasa, são fruto de momentos de grande emoção, a que todos nós enquanto seres humanos estamos submetidos e prontos para defender nossas posições com unhas e dentes. Não é que detestamos as pessoas. Pelo menos, esse é o pensamento de alguns que eu tenho consultado. Eu, por exemplo, valorizo bastante os meus oponentes.
Aliás, eu gostaria de finalizar este artigo com uma mensagem de agradecimento a meus caros oponentes. No final do ano de 2009, próximo ao natal, eu pensei em escrever uma crônica de agradecimento não as pessoas amigas, isso seria o normal, mas agradecer, e porque não, aos meus inimigos, e já explico: Foi através dos rivais, dos que aparentemente sempre se colocaram contrários à mim, e até daqueles que se pudessem, queriam assistir a minha destruição, que eu pude crescer mais.
Agradeço a essas pessoas, pois eles me servem de exercício à vida real. A vida é um canteiro de obras. A vida é um verdadeiro campo de batalhas, e os amigos apenas elogiam nossos bravos feitos. Somente cabe aos inimigos e não simpatizantes, a tarefa de nos contestar, de falar mal de nós, de nos criticar, de exaltar nossos defeitos, e até de querer nos destruir. Ao fazerem isso, involuntariamente, essas pessoas acabam por nos fazerem lutar, ensinam-nos novos meios de nos defender, de ver nossas falhas, e de poder corrigi-las a tempo. A natureza nos ensina essa lição de modo muito óbvio: Até os gatos filhotes passam por um período de exercício, brigando com os irmãos, a fim de se prepararem para as duras batalhas que se seguirão na vida.
Agradeço e muito às pessoas que não gostam de mim, que tentam me passar para trás sempre que possível, e que se colocaram na minha vida como eternos opositores ao que digo e ao que faço. Elas me deram o prazer de poder crescer na adversidade, de ser forte, de endurecer, de ter coragem, garra e determinação para vencer. Se eu devo algo em minha vida além do meu esforço pessoal, devo aos meus críticos, opositores e inimigos. E aqui, levanto um brinde a alguns deles, que de uma forma ou de outra me ajudaram até hoje a questionar meu pensamento, e construir uma nova maneira de ser e de como enfrentar as adversidades que a vida lá fora tem a oferecer:
Segue-se uma lista de pessoas não necessariamente inimigas, mas que historicamente realizamos grandes duelos de idéias, a quem este brinde é dedicado: Prof. Darlan Reis, José Nilton Mariano, Tarso Araújo, Claude Bloc, Socorro Moreira, Tavares ( do Blog CaririCult ), Dede Cariri, Filipe Santana, Luiz José dos Santos, e todas as outras pessoas que ao longo da vida, de uma maneira ou de outra foram meus opositores, inimigos, ou tentaram me levar à lona, o meu mais sincero agradecimento. Aprendi bastante com as lições de cada um deles, como os gatos irmãos, mantenho o respeito e a consideração, apesar de saber que com muitos, nem o diálogo é possível, mas como já disse o grande Marquês de Maricá: "Os nossos inimigos contribuem mais do que se pensa para o nosso aperfeiçoamento moral. Eles são os historiadores dos nossos erros, vícios e imperfeições." E ainda "Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu" - Voltaire.
Um brinde ao cotidiano exercício da tolerância, da Defesa das Idéias, e das Batalhas que diuturnamente são travadas.
"Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás." ( Che Guevara )
Abraços todos,
Bom Domingo.
Dihelson Mendonça
Foto: Pachelly jamacaru

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