Thursday, December 24, 2009

Retrospectiva 2009 - postado por Armando Lopes Rafael

(excertos de matéria publicada na revista VEJA)

Balançou, mas não caiu


Foram três meses de denúncias sucessivas, uma mais cabeluda do que a outra, mas nada conseguiu fazer José Sarney desgrudar da cadeira. Auxiliado pela proverbial incapacidade dos políticos de enrubescer, e pelo braço amigo do PT, o presidente do Senado aferrolhou-se ao cargo a despeito dos seguintes episódios: a divulgação da existência de centenas de atos secretos no Senado; a descoberta de que esses atos incluíam a nomeação de quatro parentes seus; a revelação, feita por VEJA, de que ele mantinha uma conta secreta no exterior; a notícia de que havia recebido auxílio-moradia mesmo tendo casa em Brasília (que, aliás, não constava da sua declaração de bens); e a denúncia de que a Fundação José Sarney havia desviado dinheiro de um convênio com a Petrobras.

Tamanha quantidade de descalabros teve final feliz só para os envolvidos: Sarney considerou as denúncias uma "falta de respeito" para com ele, no que foi prontamente apoiado pelo presidente Lula ("O Sarney não pode ser tratado como se fosse uma pessoa comum"). Ato contínuo, todas as denúncias foram arquivadas no Conselho de Ética do Senado e, embora parte delas esteja sendo investigada pela polícia, nenhuma até hoje deu em nada. O cacique balançou, balançou, mas não caiu.

Bem-vindo, terrorista!


Certamente não foi por acaso que o terrorista italiano Cesare Battisti escolheu o Brasil para morar. Mas nem nas suas mais delirantes fantasias ele poderia imaginar que receberia aqui tão calorosa acolhida. O Brasil tem sido uma mãe para Battisti (na foto, em alegre convescote com um grupo de parlamentares do PT, PCdoB e PSOL). Afinal, que outro país dedicaria paparicos de popstar a um criminoso condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos? Em que outro país o ministro da Justiça, ignorando o parecer de um órgão técnico favorável à sua extradição, concederia a ele status de "refugiado político"?
E, por fim, que país continuaria considerando a possibilidade de oferecer-lhe abrigo mesmo depois de a mais alta corte de Justiça concluir ser o italiano um criminoso comum? Graças a essa sucessão de bondades, está nas mãos do presidente Lula decidir onde o terrorista Battisti passará 2010, se pagando por seus crimes na Itália ou espreguiçando-se sob o sol do Brasil.

Ele é "O Cara" - algumas frases do presidente Lula em 2009


"Tem gente que não gosta do meu otimismo, mas eu sou corintiano, católico, brasileiro e ainda sou presidente do país. Como eu poderia não ser otimista?" Do presidente Lula, prevendo exagerado crescimento de 4% em 2009 (janeiro)

"Os ricos precisam pouco da gente. É coletar o lixo que está bom."
Dizendo que governa "para ajudar os pobres" (fevereiro)

"Uma gripe, num cabra mofino, ele fica de cama; num cabra macho, ele vai trabalhar e não perde uma hora de serviço."
Mostrando que crise e vírus se combatem com macheza (março)

"No Brasil, tem uma coisa interessante que vocês precisam conhecer. Apareceu alguém vendendo algo na porta de um brasileiro, ele sabe que é um turco que está vendendo."
Em um seminário com empresários turcos, que não acharam a menor graça (maio)

"Um país que acha petróleo a 6 000 metros pode achar avião a 2 000."
Sobre o avião da Air France que caiu no meio do Oceano Atlântico (junho)

"Acho engraçada a ideia de que um presidente enquadre o Senado. Os senadores são inquadráveis."
Negando que tivesse interferido na crise em favor de Sarney (julho)

"A olimpíada de português é muito importante para as crianças não falarem ‘menas laranjas’, como eu."
No lançamento da pedra fundamental da Universidade Federal do ABC (agosto)

"De vez em quando inventam uma briga entre Congresso e Executivo, Legislativo e Judiciário. Ninguém aqui é freira e santa, e não estamos em um convento."
(em abril)

"Essa crise não foi gerada por nenhum negro, índio ou pobre. Essa crise foi feita por gente branca, de olhos azuis."
Em coletiva ao lado do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown (março)

"Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos."
Comentando as acusações de fraude nas eleições iranianas (junho)

"Eu não consigo ler muitas páginas por dia, dá sono. E vejo televisão; quanto mais bobagem, melhor."
Em entrevista à Rádio Tupi do Rio (agosto)

"Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão."
Justificando a aliança com partidos fisiológicos (outubro)

"Essa questão do clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular..."
Definindo o caráter global da questão climática (novembro)

Fonte: Veja
Postado por Armando Lopes Rafael

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