Sunday, November 1, 2009

Monsenhor Ágio e as almas do purgatório – por Armando Lopes Rafael



Estive, dias atrás, com o Monsenhor Ágio Augusto Moreira e ele falou-me com entusiasmo do último livro que escreveu: Tratado das Almas do Purgatório. E como hoje é o Dia dos Mortos, considero oportuno escrever algumas palavras sobre o último livro do Monsenhor Ágio.
Les Morts Vont Vite (Os mortos vão-se depressa), diz antiquíssima tradição. É verdade. Nos funerais: lágrimas, soluços, flores. Depois, um túmulo e o esquecimento. Morreu… acabou-se, diz um ditado dos dias atuais. O primeiro benefício deste novo livro de Monsenhor Ágio é o de nos proporcionar uma reflexão sobre a forma de venerar os nossos mortos. Se quisermos sinceramente ajudar os nossos entes queridos, que já partiram deste Vale de Lágrimas, a única forma é a prece sincera, nascida do coração e revestida do mais puro desejo de que eles descansem em paz.

Mesmo tendo atingido os 91 anos de idade, Monsenhor Ágio – autêntico discípulo de Jesus Cristo – continua dando o bom exemplo e exercendo suas atividades sacerdotais. Celebra a Santa Missa, diariamente, na capela que construiu; ministra o batismo, a confissão, o matrimônio e a unção dos enfermos. É orientador seguro de pessoas que o procuram em busca de conselhos. E ainda encontra tempo para escrever livros.
Desde a juventude, Monsenhor Ágio Augusto Moreira tem devoção pelas almas que padecem no Purgatório. Ao escrever este livro, ele cumpriu um imperativo de consciência julgando um dever, o de dividir com os fiéis um rico conhecimento adquirido – ao longo do seu ministério sacerdotal – sobre o Purgatório. Com efeito, desde o seu início, a Igreja Católica Apostólica Romana, assistida pelo Espírito Santo, acredita na purificação das almas, após a morte. E chama esta purificação – que não é “um lugar” – de Purgatório. Nunca é demais relembrar que o Catecismo da Igreja Católica é peremptório: "Aqueles que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, estão certos da sua salvação eterna, todavia sofrem uma purificação após a morte, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu" (CIC, §1030).

Daí por que, desde seus primórdios, a Igreja Católica honra e preocupa-se com os fiéis defuntos padecentes no Purgatório. E nos ensina – como podemos depreender da leitura deste livro – que podemos ajudar a aliviar os sofrimentos das almas do Purgatório. Esta ajuda não é uniforme e sim diferenciada. Monsenhor Ágio – fiel ao ensinamento da Igreja Católica – mostra que a ajuda mais eficaz às almas do purgatório é a celebração do Sacrifício da Missa, em intenção delas. Depois da Santa Missa, a reza do rosário (ou mesmo do terço) é o meio mais eficaz para ajudar essas almas. Outras orações ajudam na libertação dos espíritos que padecem no Purgatório, como a via-sacra. Podemos também auxiliá-las oferecendo-lhes esmolas e boas obras, além de utilizar as indulgências e as obras de penitência.

Este “Tratado das Almas do Purgatório”, em tão boa hora escrito por Monsenhor Ágio, resgata, ainda, pensamentos consoladores sobre o Purgatório, da lavra de grandes santos, a exemplo de Santa Catarina de Gênova (1447-1510); São Francisco de Sales (1567-1655); São João Bosco (1815-1888), dentre outros. Por fim, Monsenhor Ágio nos alerta para não esquecermos os nossos irmãos que gemem no lugar da purificação. Nisto, ele está em sintonia com a Igreja Católica, que consagrou um dia inteiro, todos os anos, à oração pelos finados.

A doutrina católica cobra-nos esta coerência: os que creem na vida eterna devem crer no purgatório. E se cremos no Purgatório, oremos pelos mortos que lá padecem.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

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