Se estabelecermos uma graduação para as dores que afligem os seres humanos, certamente a mais intensa, mais angustiante, seria a dos pais que vêem o filho partir prematuramente, nos verdes anos da infância, no despertar da adolescência, no entusiasmo da juventude.Todo ano, no dia de finados, em minha ida ao cemitério da Piedade do Crato, além de familiares, visito outros túmulos e um deles me toca o coração, o túmulo do garotinho Aloysio. A sua História me foi contada há muitos anos, a morte veio buscá-lo aos 04 anos de idade abalando profundamente seus pais, deixando feridas abertas nos seus corações. A sua sepultura é logo na entrada, após o portão esquerdo da frente, quase que encostado ao muro, é rodeado de uma grade cromada. O túmulo é de mármore branco e a coluna de granito rosado. Com os dizeres, Aloysio filho do Dr. João Augusto Bezerra e Maria Prisce Augusto Bezerra. Nasceu no Crato em 26 de Fevereiro de 1907. Faleceu na mesma cidade em 10 de Novembro de 1911. As palavras escritas nele nos deixam emocionados. Assim está escrito:
Não chores que não morreu
Era um anjinho do céu
Que outro anjinho chamou
Era uma luz peregrina
Era uma estrela divina
Que ao firmamento voou.
Na outra lápide, o que ele falou ao pai um mês antes de falecer :
Papai
Esta terra não presta
é tão cheia de coisas ruins!
Só o céu é bom, tem anjos,
músicas e cânticos bonitos.
Eu quero ir para o céu.
Em volta, do outro lado, o lamento de seus pais:
Oh! Aloysio!
Dorme filho muito amado
Bem tranquilo
Porque contigo estão
Os corações dos teus
Desvelados pais
Que na terra viverão
De tua memória
Se alimentando de tua saudade!
Eternamente longe dos olhos de papai e mamãe
Porém sempre pertinho dos seus corações.
Foi escrevendo esse artigo que percebi que no próximo dia 11 de novembro, completam 100 anos do falecimento do garotinho Aloysio. Sei que muitos de vocês também perderam prematuramente entes queridos e o que posso dizer é que tudo tem sua razão de ser. Deus sabe o que faz. Chorem mas não se desesperem, procurem ajuda. Abram seus corações com pessoas amigas que estão ao seu redor, deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos. Dia virá que você será capaz de olhar para trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato. A morte é sempre um assunto delicado, mas por vezes é bom falar dela, para que se consiga perceber que no fundo não há nada a fazer senão aceitá-la.
Por: Sérgio Linhares

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