Thursday, December 3, 2009

Sobre Cultura - Prof. Zé Nilton


Por Zé Nilton
Muito bem, caro Dihelson.

Primeiramente, todos os povos, em seus lugares construídos historicamente, têm cultura. Acho mesmo que estamos sempre usando o termo cultura, de forma reducionista, significando somente grupos de artes "primitivas" em detrimento de todo os outros elementos, com seus traços e complexos específicos, que formam e individualiza, ou melhor, assumem uma especificidade no interior do todo cultural. No plano da nossa cultura material, apesar da teimosia política e capitalista de apagar os rastros da nossa história, quando se investem contra os equipamentos antigos para no seu lugar construir o moderno, temos muitos valores, que ainda expressam nossa forma de ser e de fazer culturais.

Isto vale também para os elementos da cultura natural ou meio-ambiental. Não precisa nem falar da diversidade dos arranjos culturais da cultura imaterial. E para não falar demais, é bom lembrar, que no bojo desta acepção, entra também as diversas artes, que não sejam somente a folclórica. A nossa cultura, no plano imaterial, engloba tudo da nossa produção cultural e artística.
Ela é um continum que, para efeito de ilustração, e para melhor entendimento, deve ser compreendida, estimulada e politicamente levada em conta, na dimensão cumulativa que vai dos Anicetos a Dihelson Mendonça.

Acho mesmo que sempre procuramos desmerecer a nossa cultura pelas partes; porque pelo todo, ela é uma das mais diversas, ricas, pujantes e pulsantes. E sempre foi assim, tanto no passado quanto no presente e no futuro. Então, não fomos, mas somos, não sei se "capital" da cultura, porque isto nos põe na centralidade de uma vasta região cultural, e poderá ( re)criar atitudes etnocêntricas tão explícitas no passado, e que ainda hoje permanecem latentes, e volta e meia delas fazem uso diversos agentes sociais em seus interesses conflitantes. O problema por aqui é a falta de uma política que leve em conta o todo, e não ficar fragmentando nosso patrimônio cultural, pelo privilegiamento de algumas ações e detrimento de outras.

Por: Zé Nilton

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