Robin Williams costumava mandar muito bem em humor grosso. Era viciado em cocaína e elétrico no palco. Passou parte dessa energia para algumas performances – Popeye, Bom Dia Vietnã, Alladin.Depois largou o vício e foi ficando cada vez mais sem graça, fazendo filminhos chochos “para toda a família”.
Virou filantropo, tem carro elétrico, é ciclista etc. Seus filmes como protagonista são intragáveis desde Hook, 1991, em que faz um Peter Pan envelhecido.
Robin ainda manda mais ou menos bem em pontas (como Teddy Roosevelt, nos dois Uma Noite no Museu) e em entrevistas – cospe piadas e imitações como uma metralhadora. Na de ontem, no David Letterman, explicou assim como o Rio ganhou de Chicago, na disputa para ser sede das Olimpíadas:
“Chicago enviou a Oprah Winfrey e a Michelle Obama. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa.”
A história acabou de rolar e já vi um post reclamando, “humor duvidoso” etc. Qual o problema? Qualquer alvo é bom alvo para uma piada.
Letterman esculhamba toda noite sua amada Nova York. Se Robin quisesse tirar sarro, sei lá, da França, ia dizer que na Olimpíada de Paris não ia ter chuveiro, porque francês não toma banho.
O problema é que a piada sobre o Rio não é engraçada. Tanto que ninguém na plateia riu.
Mas é um tantinho reveladora da nossa imagem nos Estados Unidos. Por que pó? Porque no Brasil está cheio, e os filmes brasileiros que chegam lá fora falam exatamente de tráfico, favelas e tal.
Por que cinquenta strippers? Ora, porque nossas mulheres têm fama de bonitas, e porque de fato está cheio de stripper brasileira nos EUA.
Uns anos atrás peguei um táxi no aeroporto de Nova York, JFK, e o motorista brasileiro e ilegal me convidou para uma bandinha noturna por New Jersey, “está cheio de stripper brasileira e essas, dependendo da grana, dão”.
Thanks, but no, thanks.
A piada também sugere que o Brasil não tem as mesmas armas dos países ricos para ganhar uma competição. Temos tudo aqui, cara, inclusive o Eike Batista.
O importante não é competir. O importante é ganhar. Medalha de ouro, você vira garoto propaganda de um monte de marcas, é recebido pelo presidente etc. Sem medalha, sem moral.
O Rio ganhou para ser sede da Olimpíada? Vai correr um rio de dinheiro na direção certa, para os bolsos certos. Chicago? Dançou.
O importante é ganhar, mesmo que via anabolizante. O fundamental é não ser pego.
Esta é a “ética” dos esportes e dos negócios, no Brasil e em qualquer lugar. Robin entende de drogas, mas não entende de doping.
Fonte: http://blogs.r7.com/andre-forastieri/
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