Tuesday, December 1, 2009

Os ratos começam a abandonar o navio - Postado por: José Flávio Vieira

01/12/2009 - 18h35

Executiva Nacional do DEM abre processo contra Arruda e dá prazo para defesa

Claudia Andrade

Do UOL Notícias

Em Brasília


A Executiva Nacional do DEM decidiu na tarde desta terça-feira (1) deixar a decisão sobre uma eventual expulsão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), para o dia 10 de dezembro. Arruda é acusado de envolvimento em um esquema de propina no governo. O partido estava dividido, com parte de seus integrantes defendendo a expulsão sumária de Arruda. Contudo, prevaleceu a tese de que a sigla deveria aguardar a defesa do governador e a elaboração de um relatório para ser votado. Ficou acertado que a votação ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 10 de dezembro. Serão oito dias para que a defesa de Arruda se manifeste e outros dois dias para que o relatório seja elaborado.

O deputado José Carlos Machado (SE) foi indicado para relatar o caso, mas disse que terá de conversar com o presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), antes de aceitar a incumbência. "Fui pego de surpresa." Minutos depois do anúncio, Machado renunciou ao posto. Antes mesmo do encerramento da reunião, o líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), escreveu no microblog Twitter que a reunião estava "tensa". "Já apresentamos nosso pedido de expulsão. O partido tem que dar exemplo", defendeu. Caiado e outros dois integrantes do partido, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), e Demóstenes Torres (GO), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, apresentaram uma petição a favor da expulsão sumária.

"Nós encaminhamos uma proposta e só nós defendemos essa proposta. Os outros defenderam uma proposta alternativa, qual seja de o processo ser julgado no dia 10 [de dezembro] após defesa prévia, elaboração do relatório e votação", disse Agripino. Mais tarde no Twitter, foi mais incisivo: "Decisão final deve ser expulsão de Arruda". Presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), classificou de "chocantes" as imagens sobre esquema de propina no DF. Questionado sobre as implicações da crise no DEM para as eleições do próximo ano, já que o partido tem aliança com o PSDB para compor o palanque da oposição, Maia disse que os dois assuntos não estão relacionados e defendeu a decisão tomada nesta terça. "Ao contrário de outros partidos, o DEM vai se posicionar (sobre a crise)", afirmou.

Os integrantes do partido voltaram a se manifestaram no Twitter. "Minha posição pela expulsão não foi votada. Não existe nada mais desagradável do que um momento como este", disse Caiado. "Na quinta-feira, a Executiva vota a expulsão de Arruda. Para mim, não foi o ideal. O partido perdeu oportunidade." "Denúncias têm imagens graves. O prazo de 8 dias é prazo mínimo que o estatuto exige num rito sumário. DEM decide dia 10. Em definitivo", escreveu o deputado Índio da Costa (RJ). Ao menos dez deputados (dois deles suplentes), assim como o governador Arruda e três secretários do Distrito Federal, suspeitos de participar de pagamento de propinas. O esquema teria começado em 2002 e, além de servir ao enriquecimento pessoal de vários integrantes do governo, teria financiado à campanha eleitoral de Arruda para o governo do Distrito Federal. As denúncias foram reveladas durante a operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, realizada na última sexta-feira (27). Imagens da ação mostram o governador e outros integrantes de sua gestão recebendo maços de dinheiro. Todos negam as acusações.

Impeachment e defesa

Dois pedidos de impeachment foram protocolados na Câmara Legislativa do Distrito Federal nesta terça-feira. A oposição deve entrar com um novo pedido na quarta-feira (2), reunindo a assinatura de diversos movimentos sociais e entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores). Arruda voltou a afirmar hoje que é vítima de um complô armado pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa - que realizou as gravações -, com a ajuda de seus adversários políticos. Em nota divulgada esta tarde, Arruda cita que Durval responde a mais de 30 processos por atos de corrupção praticados durante o governo passado, de Joaquim Roriz (PSC) e que, "para se livrar da lama", a jogou em todas as direções.

Na nota, Arruda garante que irá apresentar à Justiça "provas irrefutáveis de sua inocência". Ele também afirma estar confiante na decisão de seu partido, com cuja cúpula se reuniu ontem (30), em um clima de "elegância e respeito mútuo, sem nenhum tipo de pressão". PSDB deixa o governoA Executiva Nacional do PSDB decidiu, na tarde desta terça-feira, deixar a base de apoio do governador José Roberto Arruda.

"O PSDB não está mais no governo do Distrito Federal.

Todos os que forem do PSDB devem sair do governo atual", anunciou o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE). "Os que não saírem do governo, não serão mais do PSDB. Os que saírem do governo e tiverem processos serão submetidos ao Conselho de Ética do partido", acrescentou. Desde que o escândalo do mensalão do DEM veio a público, na última sexta-feira, outros três partidos já tinham abandonado a base aliada de Arruda: PDT, PPS e PSB. Não houve decisão relacionada ao presidente da sigla no DF, Márcio Machado, que estaria envolvido nas irregularidades, o presidente do PSDB disse que quem tiver denúncias contra si "terá de se explicar".

Em reportagem publicada nesta terça-feira, o jornal "Folha de S.Paulo" afirma que o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa acusa Machado de atuar na coleta de propina e distribuição do dinheiro a aliados políticos. O presidente do partido tucano no DF assumiu a Secretaria de Obras do governo Arruda em 2007.

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