Acompanhar todo este conjunto de postagens sobre tema tão encantador e ao mesmo tempo polêmico: Arte e Cultura; provocadas pelo amigo professor Océlio e tão bem capitaneadas por você, nos enche de entusiasmo. Percebe-se uma variedade extremamente positiva de olhares; desde as análises simples e cruas sobre o que venha a ser cultura, até os mecanismos estatais desenvolvidos ou não, pelas várias esferas de governo na direção do fortalecimento do que temos de precioso em um povo: Sua cultura.
Engraçado como ao ler todas as postagens, acabamos nos identificando de forma absoluta com todas as reflexões; e aqui, citaria algumas delas: Quando Cacá Araujo, esse vitorioso mestre das artes; fala no fortalecimento da cultura popular como fator de identidade e desenvolvimento regional, valorização de nossas memórias vivas,através de nossos mestres e brincantes de todas as brincadeiras; “linkando” ao aspecto da necessidade do desenvolvimento de uma política pública clara na direção do turismo cultural, me vem a mente a nossa humilde iniciativa do Cariri Cangaço, também nascido com um forte traço,no mesmo sentido:fortalecer o fomento a um turismo cultural; o turismo só é bom quando respeita as pessoas e o lugar, o termo usado por Cacá de “desespetacularizar” nunca foi tão bem colocado; quando Wilton Dedê nos traz a pertinente preocupação de trazer esta “cultura de platéia” para o centro das discussões é extremamente importante. Criar mecanismos de incentivo a formação de platéias cada vez mais críticas, mais participativas, mais presentes na construção dessa Arte e Cultura,é missão de todos nós, governo e povo; e para isso a colaboração de todos é fundamental; muitos já não acreditam na eficácia de reuniões, fóruns, debates... Mas, precisamos perseverar, fazer a nossa parte, temos como exemplo a “Guerrilha” de poucos dias atrás. Irreverente, contestadora, reveladora e vitoriosa! Não podemos parar!

Zé Nilton nos traz a lucidez da dimensão do que realmente temos: Uma cultura plural, rica, dinâmica, material e imaterial. Como nos limitarmos a este sentimento reducionista? Tão bem pontuado pelo articulista? Penso que essa reflexão deveria calar no coração de todos aqueles que participam dessa positiva e oportuna discussão.
Querido professor Océlio, somos sim, a capital da cultura; sem a pretensão tão bem lembrada pelo Zé Nilton, das discussões etnocêntricas; mas, sempre seremos, independentes de governos e governantes; nosso sentimento, nosso coração e nosso entusiasmo é que devem nos guiar. O Novo convivendo com o tradicional, os mestres convivendo com os pupilos, os espaços sendo divididos e compartilhados; a música de um Dihelson, Salatiel, João do Crato, unidas em mesmo palco com o som dos zabumbas, triângulos e sanfonas; a dança do côco, o maneiro pau; o rock de nossa juventude prestando sua homenagem a arte dos Aniceto...o poema de Patativa inspirando o grafite de nossos meninos; amantes do cordel, da xilo, das encantadoras bonequinhas de pano, do pé de manga, sabendo que existem aqueles que adoram o funk, o samba e o pagode, adoram o pé de serra e a melodia romântica do brega, esse é o nosso universo, os diferentes olhares e sentimentos, que acabam tecendo esta maravilhosa colcha de retalhos chamada cultura. Precisamos compreender tudo isso, e mais que isso; precisamos acreditar que podemos sim fortalecê-la cada vez mais.
E esse verdadeiro fórum de discussões sobre o tema, com certeza tá cumprindo a sua parte.
Grande Abraço.
Por: Manoel Severo
No comments:
Post a Comment