Mensalão do DEM, por exemplo, foi detonado por ex-secretário do Distrito Federal
Os escândalos no Brasil que revelam os esquemas de corrupção trazem à tona personagens desconhecidos e muito bem informados que conseguem seus dias de fama por abrir a caixa preta do submundo da política no país. Eles podem ser chamados de “detonadores de escândalos”. O caso mais recente, o mensalão do DEM, veio à tona pela boca e por gravações de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), acusado de chefiar o esquema de pagamento de propina.
O coordenador de projetos da ONG Transparência Brasil, Fabiano Angélico, disse ao R7 que isso acontece porque não há transparência dos órgãos públicos, nas relações entre agentes privados e públicos e que, muitas vezes, os detonadores de escândalos acabam usando informações que deveriam ser públicas como forma de chantagem.
- Isto que a gente está vendo nestes vídeos [do caso Arruda] são empresários que vão lá conversar com políticos algo que deveria ser transparente, mas é feito na moita e tem alguém que teve seus interesses contrariados ou que achou que deveria falar por alguma razão e resolveu abrir a boca. Isso acontece no Brasil por falta de transparência. O caso de Durval Barbosa não é único, outros detonadores já chegaram a derrubar ministros e acusar o presidente da República: o motorista Eriberto França, durante o governo de Fernando Collor de Mello; o caseiro Francenildo Costa, que colocou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na mira do STF (Supremo Tribunal Federal), em 2005; e mais recentemente o ex-deputado Roberto Jefferson, que “lançou” o termo mensalão ao denunciar o esquema que derrubou a cúpula do PT no governo em 2005.
Para o cientista político Sérgio Praça, do Movimento Voto Consciente, os detonadores são divididos entre os delatores do meio político e os anônimos.
- Estes, sim, são os verdadeiros heróis. Eles delatam sem ser do meio, como no caso do Nildo [Francenildo Costa], que é mais na linha do Eriberto. Francenildo revelou os bastidores da mansão frequentada por Palocci em Brasília e por seus amigos de Ribeirão Preto. Em agosto, Palocci foi absolvido da acusação de violação de sigilo bancário da conta de Nildo. Hoje, caseiro limpa fachadas e calçadas em casas do Lago Sul de Brasília e fatura entre R$ 50 e R$ 80 por dia, segundo a Agência Estado.
Angélico não vê semelhanças entre os detonadores de diferentes escândalos e acredita que cada um decidiu falar por um motivo diferente.
- São cenários completamente diferentes. Francenildo resolveu falar aparentemente por uma questão íntima, o Durval resolveu porque teria vantagens pela delação premiada. Não dá para comparar um Durval com o Francenildo. Já o ex-deputado Roberto Jefferson, cassado no auge do mensalão, continua em destaque na cena política. Embora não possa exercer seus direitos políticos por oito anos, ele é o atual presidente do PTB, partido da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Procurado pela reportagem, o PTB disse, por meio da assessoria do secretário-nacional Campos Machado, que “cassaram o mandato, mas não a alma de Jefferson” e que não há impedimento legal para que ele ocupe o posto, "o que ocorreu através de decisão unânime da Executiva Nacional do Partido".
Praça diz que Jefferson não imaginava a dimensão do mensalão.
- Mas isto não significa nada [ele ser presidente do partido]. Ele errou no cálculo ao detonar o mensalão, queria atingir o Dirceu [José Dirceu, ex-ministro de Lula) e não achou que tomaria essa dimensão. Se ele não falasse, alguém explodiria o mensalão.
Procurado pelo R7, Jefferson não retornou o contato. A reportagem tentou, mas não conseguiu contato com Eriberto e Francenildo.
Os escândalos no Brasil que revelam os esquemas de corrupção trazem à tona personagens desconhecidos e muito bem informados que conseguem seus dias de fama por abrir a caixa preta do submundo da política no país. Eles podem ser chamados de “detonadores de escândalos”. O caso mais recente, o mensalão do DEM, veio à tona pela boca e por gravações de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), acusado de chefiar o esquema de pagamento de propina.
O coordenador de projetos da ONG Transparência Brasil, Fabiano Angélico, disse ao R7 que isso acontece porque não há transparência dos órgãos públicos, nas relações entre agentes privados e públicos e que, muitas vezes, os detonadores de escândalos acabam usando informações que deveriam ser públicas como forma de chantagem.
- Isto que a gente está vendo nestes vídeos [do caso Arruda] são empresários que vão lá conversar com políticos algo que deveria ser transparente, mas é feito na moita e tem alguém que teve seus interesses contrariados ou que achou que deveria falar por alguma razão e resolveu abrir a boca. Isso acontece no Brasil por falta de transparência. O caso de Durval Barbosa não é único, outros detonadores já chegaram a derrubar ministros e acusar o presidente da República: o motorista Eriberto França, durante o governo de Fernando Collor de Mello; o caseiro Francenildo Costa, que colocou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na mira do STF (Supremo Tribunal Federal), em 2005; e mais recentemente o ex-deputado Roberto Jefferson, que “lançou” o termo mensalão ao denunciar o esquema que derrubou a cúpula do PT no governo em 2005.
Para o cientista político Sérgio Praça, do Movimento Voto Consciente, os detonadores são divididos entre os delatores do meio político e os anônimos.
- Estes, sim, são os verdadeiros heróis. Eles delatam sem ser do meio, como no caso do Nildo [Francenildo Costa], que é mais na linha do Eriberto. Francenildo revelou os bastidores da mansão frequentada por Palocci em Brasília e por seus amigos de Ribeirão Preto. Em agosto, Palocci foi absolvido da acusação de violação de sigilo bancário da conta de Nildo. Hoje, caseiro limpa fachadas e calçadas em casas do Lago Sul de Brasília e fatura entre R$ 50 e R$ 80 por dia, segundo a Agência Estado.
Angélico não vê semelhanças entre os detonadores de diferentes escândalos e acredita que cada um decidiu falar por um motivo diferente.
- São cenários completamente diferentes. Francenildo resolveu falar aparentemente por uma questão íntima, o Durval resolveu porque teria vantagens pela delação premiada. Não dá para comparar um Durval com o Francenildo. Já o ex-deputado Roberto Jefferson, cassado no auge do mensalão, continua em destaque na cena política. Embora não possa exercer seus direitos políticos por oito anos, ele é o atual presidente do PTB, partido da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Procurado pela reportagem, o PTB disse, por meio da assessoria do secretário-nacional Campos Machado, que “cassaram o mandato, mas não a alma de Jefferson” e que não há impedimento legal para que ele ocupe o posto, "o que ocorreu através de decisão unânime da Executiva Nacional do Partido".
Praça diz que Jefferson não imaginava a dimensão do mensalão.
- Mas isto não significa nada [ele ser presidente do partido]. Ele errou no cálculo ao detonar o mensalão, queria atingir o Dirceu [José Dirceu, ex-ministro de Lula) e não achou que tomaria essa dimensão. Se ele não falasse, alguém explodiria o mensalão.
Procurado pelo R7, Jefferson não retornou o contato. A reportagem tentou, mas não conseguiu contato com Eriberto e Francenildo.
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