Monday, November 23, 2009

Conheça o polêmico livro de Clarice Lispector que a "Veja" chamou de "lixo"


"Lixo, sim: lançamento inútil". Foi como definiu, em julho de 1974, a revista "Veja" o livro "A Via Crucis do Corpo", de Clarice Lispector. Não foi a única crítica impiedoso. Até o "Jornal do Brasil", onde ela trabalhou, disparou: "teria sido melhor não publicar o livro, em vez de ser obrigada a se defender com esse falso desprezo por si própria como escritora".

Os episódios são relatados no livro "Clarice,", biografia escrita pelo jornalista americano Benjamin Moser. "Meus filhos gostaram e esse é o julgamento que mais me interessa", disse Clarice. Os ataques a "A Via Crucis do Corpo" estão relacionados ao toque pornográfico do livro.

"A Via Crucis do Corpo é notável como retrato da vida criativa de Clarice captado em tempo real, a ficção invadindo a vida cotidiana, e sua existência de mãe e dona de casa constantemente penetrando e minando sua ficção. Os contos imaginativos, ficcionais, alternam-se com anotações corriqueiras de suas atividades diárias: o telefone toca; ela topa com um homem que conheceu no passado; seu filho Paulo chega para almoçar. Essas telas alternadas compõem um quadro de 11 a 13 de maio de 1974, os dias que Clarice passou escrevendo o livro. Aquele fim de semana, significativamente, incluía o Dia das Mães, 12 de maio. E o tema que une os contos coletados não é, na verdade, o sexo. É a maternidade. Um transexual tem uma filha adotiva, para a qual ele é uma 'verdadeira mãe'", analisa Moser, na biografia.

Esse livro traz o conto "A Língua do 'p'", no qual Lispector escreveu sua única descrição explícita de um estupro, destaca Moser. O aspecto é importante, porque a mãe da escritora sofreu essa violência por soldados russos, na Ucrânia, contraindo sifílis. Pela lenda local, uma gravidez serviria para curar a doença, mas Lispector nasceu, e sua mãe acabou morrendo.

da Livraria da Folha

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