Monday, November 23, 2009

Ainda sobre a Revolta da Armada - por Armando Lopes Rafael

Cédulas da "República dos Estados Unidos do Brasil" nome oficial do nosso País de 1889 a 1967
Primeira bandeira do Brasil republicano. Que só durou quatro dias pois o povo carioca não aceitou esta imitação servil da bandeira dos EUA

A nota colocada por Dihelson, nesta segunda-feira, sobre a Revolta da Armada inspirou-me a agregar o comentário abaixo. O que vou relatar abaixo está no livro "A Diplomacia do Marechal", resultado de longas pesquisas do embaixador brasileiro em Washington, Sérgio Correia de Castro, após vasculhar arquivos dos Estados Unidos. O livro traz à tona um acordo entre o governo republicano brasileiro e o governo norte-americano.

Vamos aos fatos: em 6 de setembro de 1893, cansados de presenciar os desmandos do governo Floriano Peixoto um grupo de oficiais da Marinha brasileira se rebelou para derrubar o sanguinário ditador. Entre os insurgentes estava o lendário patriota Almirante Saldanha da Gama, conhecido por suas convicções monarquistas.
Floriano sentiu que não tinha como derrotar a Marinha brasileira. Apelou para o governo de Estados Unidos da América, dizendo que a "restauração da Monarquia seria, daquele momento em diante, o objetivo dos insurgentes". Feito isso, deslocou um homem de sua confiança, Salvador de Mendonça, a fim de obter ajuda junto ao Secretário de Estado Americano, Mr. Gresham, para sufocar o movimento nacionalista dos brasileiros.
Mendonça foi subserviente, mas competente! Lembrou às autoridades dos EUA que o Governo Cleveland tinha contribuído para a restauração da monarquia no Hawai. E argumentava Mendonça: "Não seria demais duas restaurações para só uma administração democrata"? Por fim, sentenciou: se os Estados Unidos não ajudarem Floriano, o Brasil volta a ser uma monarquia, como no tempo de Dom Pedro II, quando éramos mais ligados à Inglaterra. Ou seja, os norte-americanos perderiam os privilégios que vinham desfrutando depois do golpe militar de 15 de novembro de 1889.
O governo Yankee não se fez de rogado. Mandou três possantes cruzadores ao Rio de Janeiro: o Charleston, o Newark, e o Detroit. Aos três se juntaram depois mais dois navios de guerra, sob o comando do Almirante Benham, para acabar com o bloqueio dos navios brasileiros ao porto do Rio de Janeiro.
Chegando ao Rio o Almirante americano alvejou com um tiro, do Detroit, a armada brasileira. E ameaçou por a pique os demais navios brasileiros. Para evitar derramamento de sangue, ante a superioridade norte-americana, o Almirante Saldanha da Gama capitulou. Entrou pelo interior para preparar a resistência. Perseguido, foi assassinado no Rio Grande do Sul.
Floriano Peixoto tornou-se o dono da situação, e deu um banho de sangue, passando a fio de espada os cadetes da Escola Naval. Estava assegurada a manutenção da atual República brasileira. Por conta da intervenção norte-americana no Brasil.
E o alagoano Floriano Peixoto, de quebra, ganhou o título de "Marechal de Ferro". E ordenou o "holocausto" dos humildes camponeses nordestinos, que rezavam e trabalhavam em Canudos, sob a liderança do Beato Antônio Conselheiro, num episódio que ainda é uma ferida não cicatrizada na história brasileira.
Estes são fatos pouco comentados da história do Brasil!
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

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