Wednesday, August 15, 2012

Parabéns ao aniversariante - Por: Haroldo Ribeiro



Nota do Editor - Recebi além das mais de 400 mensagens de "Feliz Aniversário", ocorrido ontem, dia 15 de Agosto, uma bastante tocante, especial, de um grande amigo, a quem considero um irmão e um segundo pai. Faço questão de publicar aqui no Blog do Crato, e que me perdoem as outras 399,  que guardo também com todo o carinho, ainda que sem publicação por falta de espaço no Blog, guardo-as no coração.  Segue a mensagem a mim dirigida pelo Dr. Haroldo Ribeiro:

"Não é preciso mais buscar o passado como fonte de inspiração para seguir em frente e melhorar sempre o conhecimento, além do prazer que se obtém com a sensação de aprender. Sempre me referi às personagens do passado quando se tratava de mencionar feitos ou fatos extraordinários ao longo da vida, sejam filósofos, artistas, ou até mesmo grandes descobridores. Cheguei mesmo a imaginar que ao morrer poderia vir a satisfazer àquela sensação frustre de não tê-los conhecido ou convivido. Hoje sinto como uma grande descoberta para mim que, muitos de nós temos sim o privilégio dessa convivência contemporânea com verdadeiros gênios da humanidade bem junto a nós. Portanto, quero pedir licença para quebrar o protocolo de parabenizar um aniversariante que por sua pluralidade de inteligência e talento com toda certeza se enquadra na História como mais um dos Gênios que alavanca a evolução da humanidade e falar MUITO OBRIGADO (ainda que por escrito) por tê-lo como Meu Amigo/Irmão/Filho Dihelson Mendonça na passagem de seu aniversário hoje e sempre. 
15 de Agosto de 2012.
Haroldo Heitor Ribeiro


NB- Ficaria CRATÍSSIMO que você publicasse no Blog do Crato esta mensagem"

Uma Resposta ao Dr. Haroldo Ribeiro

O Dr. Haroldo Ribeiro, grande médico, cirurgião e músico de Fortaleza, em mensagem gentilmente endereçada a mim no dia 15 de agosto de 2012, quando completei 46 anos de idade, fez-me enorme elogio, chegando e me considerar, dentre outras coisas, um "gênio". A sua homenagem foi tamanha ( e a meu ver, imerecida ), que resolvi respondê-lo, assim como partilhar da alegria da resposta para com aqueles que não o conhecem ainda.

"Gênios ? O que são gênios ? - O que se pode ao menos dizer, quando a homenagem é tamanha que te chamam de gênio ? Um filósofo já disse, séculos atrás, que todo ser humano pode até se armar e se preparar para uma grande crítica, mas nunca estará preparado para um grande elogio. Nós, pessoas ligadas à arte, normalmente lidamos com o carinho daqueles que assistem aos espetáculos, com os cumprimentos dos que apreciam nossa música, por exemplo, mas de forma alguma estaremos algum dia preparados para ouvir ou ler elogios descomunais, e ainda mais - como eu conheço bem o Haroldo Ribeiro - palavras ditas do fundo do coração, cujo objetivo não é o de um fã, de tentar agradar, pois considero o Haroldo, uma espécie de mentor, de guru, de quem ouvi em vida, as mais duras críticas do que elogios, sendo que nunca fora feita uma crítica sua a mim, que não houvesse um fundo de verdade, ainda que no atabalhoamento que nos assola na hora, nem sempre queremos ( ou podemos ) reconhecer, mas o tempo revela. Por isso mesmo, assombra nesse momento, a responsabilidade que recai sobre minha pessoa em tentar REPUDIAR tal consideração a qualquer custo, e ao mesmo tempo, ( se possível ), responder-lhe ainda que da forma menos pior e injusta. Falarei apenas aquilo que repousa em meu coração.

Gênios ? Talvez seja melhor falar em Chapéus.

Para quem ainda não conhece o Dr. Haroldo Heitor Ribeiro, perde a oportunidade de partilhar da amizade de um dos seres mais fantásticos e curiosos que a raça humana poderia produzir. Isto eu tenho anunciado desde que o conheci, de diferentes formas, e não quero aqui retribuir ou fazer elogios descabidos pelo que ele me fez. Os que têm o prazer de conhecer o Dr. Haroldo, mesmo aqueles que podem ( se é que há ) torcer o nariz para ele, hão de concordar que estiveram diante de uma pessoa que se destaca em áreas onde nós outros falhamos irremediavelmente. Como exemplo, eu citaria o seu enorme desapêgo às coisas materiais, a generosidade e o grande amor à vida. 

Filho de pais humildes e família numerosa, teve que galgar com grande dificuldade os caminhos que a vida lhe impôs, tendo perdido o seu amado pai ainda muito jovem. Sendo um ser dotado de inteligência, curiosidade, e percepção fenomenais, não tardou em ser reconhecido e destacado dentre os seus colegas de escola, tendo mais tarde se formado em medicina, profissão que lhe rendeu até hoje o respeito e a admiração dos colegas médicos, que o consideram um dos maiores cirurgiões que o Ceará já produziu. Foi o médico da CAGECE por muitos anos. Saiu portanto de uma infância difícil, de pobreza, de dificuldades, para que por méritos próprios, conseguisse o que chamamos normalmente de "vencer na vida" com relação ao que as pessoas consideram, que é ter vida farta, muitas propriedades, uma das quais é a residência no ponto mais alto permitido pela legislação na cidade de Guaramiranga, casas de praia, enfim, uma vida de puro conforto. Gozou na fase adulta de prazeres que poucos seres humanos se permitem, como por exemplo, dar-se ao luxo de construir para seu deleite, uma Boite em Fortaleza, a Boite "Chicote", que só tocava música de qualidade nos anos 80, quando ele mesmo convidava artistas do sul do país para se apresentarem, e lá nas horas tardias, fechava-se a casa e realizavam-se shows particulares para o privilégio dos amigos; Uma casa de shows que talvez seja a primeira e única no mundo, que só dava prejuízo ao proprietário. Pôde enfim, após muito sofrimento, gozar de uma vida plena de prazeres que sem dúvida, propiciaram a que experimentasse o desenvolvimento de uma espiritualidade superior, ou como ele diria, "de uma nova visão sobre a vida e sobre as conquistas materiais".

Provou, portanto do amargor de uma infância difícil, e depois, dos maiores prazeres que o mundo pode oferecer. Talvez isso o tenha levado a grandes reflexões e a buscar continuamente o sentido da vida. Posso afirmar, que praticamente quase todas as principais atividade do mundo ( externando-se o de tornar-se Astronauta e cavador de poços de petróleo, rs rs ), o Haroldo já estudou e se possível trabalhou, desde saber calcular uma viga de sustentação de um prédio, a estudar as propriedades de um solo para que orquídeas possam vingar melhor. Nessa busca incessante de conhecimento e de sabedoria ( que são duas coisas distintas ), ele foi aprendendo muitos pontos que o transformaram numa espécie de monge, de conhecedor, de psicólogo, de pessoa experimentada. Quem tem o privilégio do seu convívio, pode se dar ao luxo de telefonar para perguntar-lhe por exemplo, qual o melhor tipo de minhoca para um determinado peixe em pescaria, ou perguntar qual o melhor procedimento para uma cirurgia específica em um rim humano. Ou ainda, consulta-lo sobre a criação de escargots em cativeiro, ou um termo usado na aviação. Digo aqui sem medo de mentir, ( aí estão meus companheiros e colegas dele que não poderão desmentir ), que o Dr. Haroldo Ribeiro é uma espécie de enciclopédia humana, e quando digo isto não me refiro aos leitores de orelhas de livros ( que existem muitos ), mas de alguém que além do conhecimento teórico, foi buscar e comprovar na prática, a verdade,  e pôde experimentar o aprender. Para mim, o aprendizado verdadeiro é na experiência, na comprovação das teorias, e isso ele soube fazer ao longo da vida.

Não bastasse essas características relatadas, o que convenhamos, é muito para uma vida apenas na casa dos 60 anos, este "mestre" ( é assim que eu acho correto denominá-lo ) desenvolveu dotes musicais fortes. Quero aqui, pedir licença ao seu falecido tio, Mozart Ribeiro ( nome bonito, nome de gênio verdadeiro ),[ que era pianista, foi o primeiro pianista do cinema mudo do Ceará ] ), para discordar, quando ele disse que o Haroldo tinha "pouca inteligência musical" quando criança. Peço permissão para discordar do Mozart Ribeiro, porque se for pouca inteligência musical um homem que aprendeu a tocar Piano e Violão sozinho sem nunca ter tido lições; Que conseguiu aprender até improvisação jazzística, que é uma coisa que o seu tio nunca aprendeu; Um homem que tem mais de 60, 100, sei lá, composições solo e em parceria com diversos compositores cearenses; Um homem que já compôs até uma peça que tem caráter erudito do século XIX; Um homem cujas composições hoje são gravadas por alguns dos grandes intérpretes do Brasil...( coisa que o tio nunca têve )... Será, meus amigos, que este hhomem não tem, porventura inteligência musical ? ( peço desculpas aos leitores se pareço falar como um advogado diante de um juiz, mas é preciso que se digam certas coisas ). O Dr. Haroldo já provou então, mais uma de suas características, o de SER ARTISTA, MÚSICO de fato.

Temos portanto nele, até aqui relatados, ao mesmo tempo, um exemplo de vida, de pessoa que passando todas as tribulações, conseguiu dar a volta por cima; Temos nele um profundo conhecedor de inúmeras disciplinas, da antiguidade aos tempos modernos, que reúne um cabedal de conhecimentos que filósofos da antiguidade apenas sonharam ter acesso às concepções modernas que se dispõe. E soube absorver isso, coisa que poucos conseguem. E temos nele, o retrato de um artista, que talvez não tenha nascido com o dom de um Hermeto Pascoal, de um Beethoven, de um Chopin, da facilidade inata que estes trouxeram ao mundo, e mais uma vez, ressalta-se a dedicação, conseguiu chegar onde chegou a custo de muito estudo e prática.

O grande Albert Einstein, certa vez disse que um gênio seria 1% de inspiração e 99% de TRANSPIRAÇÃO.

Olhando de relance para a vida do Dr. Haroldo Ribeiro, não podemos deixar de reconhecer que sua vida foi de muito trabalho, de muito estudo, de muitas perdas necessárias e desnecessárias, de muitos erros e enormes acertos. Se as palavras de Einstein possuem algum sentido, afinal, vemos que o chapéu do gênio aqui nessa história toda não cabe a mim usá-lo, pois embora confesse sem qualquer hipocrisia que eu haja nascido com grandes dotes musicais revelados pela "capacidade de realizar algo" ( uma definição transmutada do reino da Física, da definição clássica de energia, como a capacidade de realizar trabalho ), confesso também que minha obra até o presente momento, não faz jus ao meu talento, pois a minha inércia, preguiça, ou estados psicológicos negativos me impediram de por o talento para conduzir o trabalho dos outros 99% tão necessários. Posso ser talvez considerado alguém de raro talento, que nunca soube empregá-lo devidamente, o que me torna um péssimo exemplo para minha geração. A vida está a passar, os dias passam, os anos passam, e faltou-me a grande vontade, a dedicação, o exemplo de vida, de determinação que teve, por exemplo, o Haroldo Ribeiro. Somos na verdade, opostos. Ele conseguiu chegar a tudo que teve, tem e terá, às custas de muito esforço e dedicação aliados também ao talento; Eu, por outro lado, ainda estou no jardim da infância no que se refere a COMEÇAR a realizar uma grande obra.

Portanto, para mim, o gênio mesmo é aquele que vai ALÉM DO TALENTO INATO, pouco ou muito. O gênio mesmo é aquele que tendo aquilo que é seu por herança genética, conseguiu domar a grande fera interior da inércia, da preguiça, e produziu grandes obras para o mundo.

Perdoe-me, Dr. Haroldo Ribeiro, neste momento, em terminantemente recusar aceitar o seu enorme cumprimento, ainda que muito gentil, por sinal, mas que julgo não merecer, o ser chamado de "Gênio", se o aceitasse, eu seria um mentiroso, um vaidoso e acima de tudo, um tolo. E perdoe-me aqui empregar a frase de um colega nosso, músico ( que não és fã ), que certa vez disse:

"Sou uma criança, não entendo nada"

Parabéns sim, a você, pelo EXEMPLO de vida. Você cumpriu o perfil que o grande Einstein preconizou. Eu não! Ainda estou muito longe de ter o direito de sequer usar o seu chapéu ( do Haroldo ), pois afinal, o mundo necessita cada vez mais de bons "corações" do que bons "cérebros".Finalizo com um episódio de Madre Tereza de Calcutá, quando um jovem vendo-a dar banho num leproso disse:

-- "Madre, dinheiro nenhum do mundo me faria dar banho num leproso!"

Made Tereza voltando-se ao jovem disse:

"Dinheiro nenhum do mundo me faria dar banho num leproso também. Eu só dou por amor!"

Mestre, parabéns a você!"

Dihelson Mendonça

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