Do figurino à malemolência do gaitista no palco, da sonoridade encorpada da banda com acento próprio à disposição constante de brincar e interagir com o público, Rick e companhia ganharam a plateia desde cedo. São inúmeros os momentos em que o músico incorpora o personagem, entre caras, bocas e, mesmo com um português restrito ao “obrigado”, pedidos para o público vibrar junto.
Nem precisava. Lotada, a Cidade Jazz e Blues aplaudiu de pé a performance de Estrin e companhia, elegendo, além do gaitista, o guitarrista Chris “Kid” Andersen, norueguês radicado nos Estados Unidos, como o grande destaque da noite. Grandalhão, desajeitado, Andresen roubou a cena tanto pela inventividade e pela energia de seus solos, quanto pelo carisma, reconhecido pelo público. Foram muitos os duos de frases e caretas com Estrin, além de uma brincadeira com o baixista Lorenzo Farrel, em uma troca de instrumentos improvisada.
Dançando no palco desde o início do show, com “Wrap it up”,Rick e os Nightcats simplesmente arrebataram nos solos em “You´re gonna lie” – com direito a aplausos de pé para o batera J. Hansen, usando luzes nas baquetas para mostrar a velocidade das marcações e do improviso, em cadência acelerada. Foi o auge da apresentação que, visitando várias vertentes do blues, passou pelo slow com espaço para a gaita brilhar e voltou ao clima dançante com “My next ex-wife”, sempre com Estrin “duelando” com Andersen. Que torna a incendiar ao comandar os vocais e a guitarra em “Taco Cobbler” – um show à parte.
De volta ao palco, Estrin ainda tem tempo de mandar “You can´t come back”, fechando um show pra entrar na lista dos mais marcantes da história do festival. E como a plateia exigiu bis, o gaitista voltou para uma performance solo, fechando a noite de blues, energia e diversão.
Dalwton Moura é jornalista e crítico musical
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