Tuesday, March 22, 2011

É viável a Democracia? Por: Thomas Sowell


Aos que vêem esperança nos levantes do Oriente Médio parecem supor que eles caminham da direção da liberdade e da democracia. Já se fala em “libertação” do Egito, apesar de que a maior mudança foi a de uma ditadura de um homem ser substituída por uma ditadura militar que suspendeu a constituição.

Talvez a ditadura militar seja temporária, como dizem os líderes, mas já escutamos esta música antes. O que também já escutamos, muitas vezes antes, é a suposição de que livrar-se de um governo antidemocrático significa que será substituído por outro governo, melhor e de maior liberdade.

A História, no entanto, demonstra o contrário. Depois que os Czares da Rússia foram substituídos pelos comunistas, o governo executou mais pessoas em um só dia do que os czares executaram em meio século. História bem semelhante em Cuba, quando o regime de Batista foi substituído por Castro, e no Iran quando o Shah foi substituído pelos Ayatollahs.

Não é inevitável que regimes ruins sejam substituídos por regimes piores. Mas aconteceu com muita freqüência, para que alegremente assumamos que destituir um ditador signifique um movimento em direção à liberdade e à democracia.

O fato de que os egípcios ou outros povos do Oriente Médio ou alhures desejem a liberdade não significa que estejam preparados para ela. Todos desejam a liberdade. Até mesmo os nazistas a desejavam, para serem nazistas. Eles queriam apenas que ninguém mais fosse livre.

Há poucos sinais de tolerância no Oriente Médio entre muçulmanos com pontos de vista políticos e religiosos diferentes, e muitos sinais de enorme intolerância para com os não muçulmanos.

Liberdade e democracia não podem ser simplesmente conferidas a qualquer um. Ambos têm pré-condições e mesmo nações que são hoje livres e democráticas levaram séculos para chegar a este ponto.

Se houve um tempo em que as pessoas das democracias ocidentais deveriam ser perdoadas por pensarem que as instituições ocidentais poderiam ser simplesmente exportadas para outras nações, este tempo já passou.

É fácil exportar os símbolos externos da democracia – constituições, eleições, parlamentos, etc. – mas não se consegue exportar séculos de experiência e de desenvolvimento que fizeram estas instituições funcionar. Muito freqüentemente a exportação pura e simples das instituições democráticas significou “um homem, um voto – uma vez”.

Não deveríamos supor que a nossa liberdade e forma democrática de governo possa ser líquida e certa. Os que criaram este país não o supunham.

Quando a Constituição dos Estados Unidos estava sendo escrita, uma senhora perguntou a Benjamin Franklin o que ele e outros escritores estavam criando. Ele respondeu, “uma república, senhora, se vocês conseguirem mantê-la”. Gerações mais tarde, Abraham Lincoln alertou para o mesmo desafio, ao questionar, se o “governo do povo, pelo povo e para o povo” podia ser duradouro.

Assim como há nações que ainda não desenvolveram as pré-condições para a liberdade e a democracia, existem também pessoas numa nação não têm esta capacidade desenvolvida dentro de si. O avanço em direção ao sufrágio universal ocorreu vagarosamente e em estágios.

Muitos, olhando o passado, percebem que foram influenciados contra outros.

Mas colocar o destino de uma nação nas mãos das massas analfabetas do passado, muitas sem qualquer concepção das complexidades de um governo, significa arriscar o mesmo destino de “um homem, um voto – uma vez”.

Consideramos hoje a alfabetização como garantida. Não era, no entanto, universal em todos os segmentos da população americana durante todo o século XX. O analfabetismo era norma na Albânia até os recentes 1920s e na Índia até a segunda metade do vigésimo século.

Alfabetização básica é apenas um dos ingredientes que fazem uma democracia viável. Sem um senso de cidadania responsável, os eleitores podem eleger líderes não meramente incompetentes e corruptos, mas líderes com desprezo pelas limitações Constitucionais do poder do governo, que preservem a liberdade do povo.

Já temos tal líder na Casa Branca – e uma sucessão de outros, semelhantes, pode demonstrar que a viabilidade da liberdade e da democracia não pode, de maneira alguma, ser tomada como líquida e certa por aqui.

Fonte: Farol da Democracia.
Tradução livre, pelo Farol da Democracia, do artigo de Thomas Sowel, “Is Democracy Viable?”
By Thomas Sowell

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