Israelenses disseram que ato repercutirá negativamente no processo de paz da região. O presidente Lula e o líder palestino Mahmoud Abbas, durante encontro na Cisjordânia, em março deste ano; Brasil apoia fronteiras de 1967. Israel manifestou nesta sexta-feira (3) sua "decepção" pela decisão do governo brasileiro de reconhecer o Estado palestino pelas fronteiras de 1967, alegando que repercutirá negativamente no processo de paz no Oriente Médio. A declaração foi feita por meio de nota do Ministério de Assuntos Exteriores israelense- Toda tentativa de buscar atalhos para esse processo e determinar de antemão e de forma unilateral os temas importantes e polêmicos apenas danificará a confiança entre as partes e seu compromisso em concluir as negociações de paz.
A diplomacia israelense também lamentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha tomado a decisão apenas um mês antes de entregar o cargo à sua sucessora, Dilma Rousseff. Além disso, destacou que o reconhecimento do Estado palestino representa uma violação dos acordos bilaterais assinados em 1995 e do Mapa de Caminho, o plano de paz apresentado em 2003 pelo Quarteto de Madri, formado por EUA, Rússia, União Europeia e Nações Unidas.
Lula comunicou a decisão por carta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. O reconhecimento foi uma resposta à solicitação realizada por Abbas em 24 de novembro e é uma posição "coerente" com as resoluções das ONU, destacou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em comunicado.
- O reconhecimento do Estado palestino é parte da convicção brasileira de que um processo negociador que resulte em dois Estados convivendo pacificamente e em segurança é o melhor caminho para a paz no Oriente Médio, objetivo que interessa a toda a humanidade.
Mais de cem países reconhecem o Estado palestino
O Brasil passa a integrar uma lista de mais de cem países que reconhecem o Estado palestino, entre eles todos os árabes, a maior parte da África, além de muitos da Ásia e do leste da Europa. O porta-voz do departamento de Assuntos Relacionados com a Negociação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Xavier Abu Eid, disse que outros sete países latino-americanos se mostraram dispostos a manter conversas bilaterais para reconhecer a independência palestina pelas fronteiras de 1967 no momento adequado.
- Esperamos que a decisão do Brasil origine uma onda de reconhecimentos latino-americanos como a que houve após 1988 (por causa da Declaração de Independência Palestina) em outras partes do mundo. Desde 1975, o Brasil já reconhecia a OLP como "legítima representante do povo palestino" e em 1993 abriu sua primeira legação diplomática nos territórios palestinos. O governo de Lula intensificou suas relações com os palestinos nos últimos anos e em março realizou uma viagem oficial à região que também incluiu uma visita a Israel.
Fonte: Folha.com
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