O Luís foi personagem, espectador e testemunha de todas as estórias aqui contadas. Algumas delas fazem parte das minhas lembranças ou me foram contadas pelos meus pais e irmãos.
Durante um largo período de tempo, o Luís foi proprietário da principal sorveteria do Crato: Sorveteria Glória, no térreo do Grande Hotel, localizado em frente à Praça Siqueira Campos, hoje demolido. Esta Praça era o “coração da cidade”, ponto de encontro diário da sociedade cratense, em “passeios” em torno dela, das seis às nove horas da noite. Depois, muitas dessas pessoas ficavam em conversas até altas horas da noite (doze horas...). Reuniam-se em grupos heterogêneos. O Crato já estava sentindo a deficiência da energia elétrica, gerada na própria cidade, na turbina da Nascente. A energia de Paulo Afonso não era sequer sonhada. O Luís resolveu instalar um gerador a diesel, na sua sorveteria. Com isso pôde implantar quatro postes, que iluminavam o trecho da praça Siqueira Campos, onde se reuniam esses “boêmios”.
Sorveteria Glória no térreo do Grande Hotel. À esquerda a Casa dos Leões, também demolida. E hoje, uma vaga lembrança. No local da Casa dos Leões foi construído o BEC, hoje Bradesco.
O prédio da Sorveteria Glória, poucos meses antes da sua demolição.
Posteriormente, o Luís passou um período trabalhando no Rio de Janeiro, quando a sua casa transformou-se na embaixada do Crato, na cidade maravilhosa. Retornando à cidade, a sala de espera da sua Imobiliária, no mesmo prédio do Grande Hotel, passou a ser o novo ponto de encontro dos “boêmios”.
O que vou relatar a seguir são estórias verdadeiras, dos anos dourados do Crato. Este, portanto, é um livro de culto à memória de um tempo feliz... Propositadamente alguns nomes dos personagens foram omitidos, visando preservar a intimidade.
Interior da Sorveteria Glória. Fotos colhidas na ocasião em que oficiais da Aeronáutica foram ao Crato para inspecionar o local do aeroporto, sendo recepcionados por autoridades cratenses e integrantes do Rotary Clube. O meu pai, na época presidente do Rotary, é o que aparece na primeira foto olhando para a câmera.

Por Ivens Mourão
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