Tuesday, March 13, 2012

Anvisa decide proibir a venda de cigarros com aromas e sabores



Cigarros com aditivos como mentol, baunilha e cravo terão de sair do mercado. Indústria terá dois anos para se adequar às novas normas.

A Anvisa (Agência Nacional Vigilância Sanitária) de proibiu nesta terça-feira (13) a venda de cigarros com sabores e aromas, os que mais atraem os jovens.

Baunilha, café, chocolate, menta. Cheiros e sabores misturados ao fumo para tornar o ato de fumar menos desagradável ou, como dizem os fabricantes, "dar opções para os fumantes". A professora Valeska Figueiredo coordenou um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que revelou: pelo menos a metade dos adolescentes prefere cigarros com sabores.

“Ele aumenta a chance de que a partir do momento em que ele começou a fumar, experimentou apenas, ele se torne um fumante regular e tenha problemas de saúde em função disso. Ele não deve experimentar nenhum tipo de cigarro, menos ainda o cigarro com sabor”, explica Valeska.

Nesta terça-feira (13), a Anvisa decidiu proibir a venda no Brasil de cigarros com adição de aromas e sabores. Mas essa decisão só terá efeito prático daqui a dois anos. Prazo dado à indústria para que ela possa "adequar" suas linhas de produção às novas normas.

Tânia Cavalcante está à frente de uma comissão do governo que coordena ações oficiais contra o consumo de tabaco no Brasil e diz: fumar virou doença pediátrica, porque nove em cada 10 fumantes começam antes dos 18 anos de idade.

Ela mostra, em um estudo do governo, o que executivos das multinacionais do fumo pensavam sobre os aditivos de sabor na década de 80. Num trecho do documento interno de uma empresa americana, um dos diretores comenta: "várias crianças não gostam do sabor do cigarro e elas começam a tossir, mas um cigarro com sabor, digamos cereja, ele pode parecer melhor. Pode matar o gosto ruim do cigarro e eles podem começar mais cedo".

“Nós ganhamos uma redução do estímulo para o jovem começar a fumar. Com isso nós vamos diminuir o número de fumantes que temos no Brasil e as mortes causadas pelo tabagismo”, diz a secretária da comissão interministerial sobre controle de tabaco no Brasil, Tânia Cavalcante.

Entidades ligadas à cadeia produtiva do tabaco publicaram um manifesto em jornais de grande circulação sobre a decisão da Anvisa. Na publicação, as entidades dizem estar preocupadas com os impactos econômicos e sociais da medida e afirmam que a decisão pode inviabilizar a fabricação dos cigarros comercializados legalmente no país.

O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco, Iro Shunke, falou sobre a proibição. “Isso vai afetar toda a cadeia produtiva a começar pelos produtores, vamos ter influência negativa nos empregos, na exportação do tabaco e por outro lado, vamos ter aí uma tendência de elevação bem maior ainda no contrabando ilegal de cigarros, que hoje gira em torno de 30%”.

Flávio Fachel Rio de Janeiro - RJ ( G1 )


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