Thursday, August 19, 2010

Religiosidade e movimentos sociais no CE - Reportagem: Antonio Vicelmo


PARTICIPANTES DO ENCONTRO "Cariri Cangaço", de diferentes gerações, participaram de visitação e solenidade no Sítio Caldeirão. O evento segue hoje em Juazeiro -ANTÔNIO VICELMO. Os líderes religiosos beato José Lourenço e Antônio Conselheiro foram destacados ontem no Cariri Cangaço.

Crato. Com uma visita ao Sítio Caldeirão do Beato José Lourenço, durante a qual foram proferidas palestras sobre "Religiosidade, Memórias e Movimentos Sociais", prosseguiu ontem, em seu segundo dia, o Seminário Cariri Cangaço, que reúne mais de 200 participantes, a maioria escritores e pesquisadores de todos os Estados do Brasil. A programação de ontem foi encerra na cidade de Barbalha com o lançamento do livro "Massilon", de Honório Medeiros, seguido de palestra sobre "Os Coronéis e os mistérios do ataque de Lampião a Mossoró".

O evento será transferido hoje para Juazeiro do Norte, no Centro Regional de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), com conferências sobre "O Pacto dos Coronéis" e "Lampião em Sergipe". O Cariri Cangaço foi aberto na última terça-feira, no auditório da Universidade Regional do Cariri (Urca), com uma conferência do escritor Antônio Amaury Correia Araújo, considerado como o maior pesquisador do cangaço.

Para o reitor da Urca, professor Plácido Cidade Nuvens, "o Cariri Cangaço representa o esforço de entender bem e compreender em profundidade maior o fenômeno do cangaceirismo na região do Cariri". Sem dúvida, segundo ele, são fatos marcantes que sinalizam as vidas dedicadas às lutas, "sem temer nem a vida, nem a morte".

Por isso, acrescenta o reitor, é interessante que os estudiosos de hoje analisem, em profundidade, todos os componentes destes fatos marcantes da história da região. Plácido destaca que o coronelismo tem uma vertente popular nos cangaceiros, que eram os fidelíssimos aliados, que enfrentavam todas as batalhas mais cruéis em defesa de seus chefes.

Na conferência de ontem, além do beato José Lourenço, fundador da comunidade no Sítio Caldeirão, foi destacada também a figura do cearense de Quixeramobim, Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como "Antônio Conselheiro", chefe religioso que liderou a Guerra de Canudos, no Interior da Bahia. Ele percorreu os sertões do Nordeste, sempre seguido por uma multidão de pessoas que nele viam um "Messias". A fama de Conselheiro preocupava as autoridades, devido às pregações que fazia contra o governo e demais autoridades.

O líder queria a monarquia de volta e reagia contra a República. Se estabeleceu em Canudos, Interior da Bahia, onde fundou uma comunidade baseada na posse comum da terra, do rebanho e da produção agrícola. A rápida expansão da comunidade e as veementes pregações do líder contra o regime republicano levaram o governo a enviar tropas para destruir o povoamento.

Após várias vitórias dos rebeldes, a revolta foi finalmente esmagada por uma violenta expedição armada, em 1897. Conselheiro, que morrera na véspera da derrota, teve o corpo exumado e a cabeça decepada. A história do líder foi magnificamente registrada em "Os Sertões", de Euclides da Cunha.

MAIS INFORMAÇÕES:
Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato/ Centro Cultural do Araripe, Centro/ (88) 3523.2365 - www.cariricangaco.com

Antônio Vicelmo
Repórter do Jornal Diário do Nordeste

Colaborador do Blog do Crato

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