Sem ter o escopo de emitir opinião sobre o tema a seguir, ao contrário, com o único objetivo de estimular a todos a refletir sobre o assunto, pois, é a partir do debate que chegamos a um consenso comum, ou, no mínimo, próximo a ele. Já dizia o grande estadista Francês, François Mitterrand: “...cada povo tem o governo que merece....” . Pois bem, após ponderar sobre a afirmação em destaque, em um primeiro momento a repeli, ao entendimento de ser falsa e, provavelmente,no caso em tela, preconceituosa. Todavia, com maior isenção e desprendimento passei interpretá-la sob o aspecto literal de seu significado.Quando se afirma que cada povo tem o governo que merece, queremos estabelecer, a priori, que somos todos iguais, pois, se os merecemos, é porque com eles nos identificamos. E se essa assertiva de fato é verdadeira, conclui-se, por via obliqua, que fazemos exatamente aquilo que os nossos representantes fazem. Para tentar entender melhor, recorro a algumas “pegadinhas” e pesquisas realizadas em meios de telecomunicações com maior destaque e alcance em todo o pais, quase sempre com o intuito de aferir a honestidade dos envolvidos. Em um primeiro teste, coloca-se um cidadão desenvolvendo a função no comércio, e , um outro, sem ter conhecimento que é exposto ao exame, ao efetuar o pagamento, recebe troco a mais, restando a expectativa de qual será a conduta do candidato. Outra prova verificou-se com um veiculo danificado, na verdade desligou-se um componente simples no veiculo, com o espeque de obter o verdadeiro diagnostico ocorrido com o veiculo automotor.Outra, em estacionamentos privativos, destinados à pessoas idosas ou deficientes, observava-se se as pessoas que lá parassem realmente cumpria as exigências para esta finalidade.
Bem, se formos descrever outros testes, ficaríamos dias e mais dias transcrevendo-os, contudo, resta-nos a seguinte pergunta: se as respostas aos testes acima, foram negativas, ou seja, violaram expectativas mínimas de convivência social, podemos entender que o comportamento dos participantes demonstrou ser o incorreto ( logicamente que a pesquisa desenvolveu-se com parte da população, há exceções) contudo, os estudiosos do assunto afirmam, que os envolvidos são “amostragem” , e que, em regra, revela um comportamento comum. Sendo assim, penso, será que realmente, o que acontece lá “em cima” , com os nossos representantes políticos , são reflexos do nosso comportamento?O que eles fazem na qualidade de homens públicos, era o mesmo quando eram simples brasileiros? Nós, “meros mortais” ao elegermos nossos representantes, procuramos fiscalizar, acompanhar seu trabalho? Seriamos capazes de denunciar, ao tomar conhecimento de uma falcatrua, aquele em quem votamos?
Ora, o desenvolvimento social, econômico, educacional, e outras coisas mais, de uma nação, são responsabilidades não somente dos homens públicos, mais, principalmente, da população, somos, e devemos ter essa consciência, parte legitima para realizar essas mudanças, enquanto entendermos que a solução para uma vida melhor, com saúde, educação, infra-estrutura, moradia, etc., depende dos outros, e não de nós, não sairemos da situação precária em que boa parte vive. O que ocorre lá “em cima”, nada mais é, do que reflexo do que acontece por aqui, pois afinal, boa parte deles estavam entre nós.
Enquanto alguns, equivocadamente entenderem que é normal “furar fila”; que ter amigo “político” é sinal de obtenção de cargo público; que apoderar-se de quantia, a mais, que lhe fora devolvida como troco, é sinal de ser “esperto” e não é crime; que utilizar vaga destinada a pessoa portadora de necessidade especial, é ser sagaz, e não desumano; enquanto fingirmos não ver o que o outro, pode ate ser o vizinho, fez ou faz de errado e nos calarmos a isso, não o denunciando;enquanto usufruir de “amigo” poderoso para alcançar objetivos individuais. Enquanto acharmos que tudo isso é “normal”, estaremos atestando e concordando que os nossos representantes comportem-se de forma temerária e nos cause imensos prejuízos. Em caso de persistência nesse comportamento imoral e antiético, não sairemos nunca dessa situação delicada, política e social, não teremos voz para exigir mudanças, viveremos carentes de tudo, de saúde, educação, moradia, transporte, etc., e acima de tudo de representantes que realmente se preocupam com o desenvolvimento de uma nação.Por fim, parafraseando Friedrich Nietzsche: "Só podemos alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos."
Luiz Cláudio Brito de Lima
Obs. Imagem obtida do site “google imagens”
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