Friday, February 17, 2012

O “entrevero” entre o governador e o senador – por Armando Lopes Rafael


De forma absoluta, já não se pode dizer que nada há de novo debaixo do sol no cenário político-partidário cearense...

Com seu característico risinho irônico no canto da boca, o senador José Pimentel (PT-Ceará) declarou a um jornal de Fortaleza – na última 4ª feira – que “os recursos para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Ceará estariam sendo devolvidos por falta de regularização e viabilização dos projetos da parte do Governo estadual e das prefeituras”. Acusou mais: “houve também devolução de dinheiro destinado à construção da refinaria do Ceará”.

No dia seguinte, o governador Cid Gomes acionou sua metralhadora giratória verbal – tão característica do clã Ferreira Gomes – e disse que, “com a franqueza que orienta suas atitudes, o senador petista extrapolou, exagerou e mentiu".
A defesa do governador Cid Gomes, feita em face da “estocada” que recebeu do senador José Pimentel (PT), mostrou que a guerra intestina entre os “aliados” (pense numa aliança!) do PSB e PT é mais profunda do que imagina a nossa vã filosofia.

O episódio reforça apenas uma convicção minha: o povo não sabe votar. A maioria dos eleitores cearenses – na eleição de 2010 – preferiu votar em José Pimentel, alijando do Senado da República um homem público do porte de Tasso Jereissati, que jamais cometeu uma leviandade na sua vida pública. Mas Tasso perdeu a eleição porque durante seu mandato sempre foi independente e não vendeu sua honra pelas benesses do poder, como sói acontecer nesta decadente república.

A propósito, lembro um pequeno texto do discurso de despedida de Tasso Jereissati do Senado:

“Gostaria finalmente de fazer um alerta de ordem política. Não tenham ilusão quanto ao atual projeto de poder. Está em jogo a democracia brasileira! Durante esse governo a liberdade de expressão esteve permanentemente em risco. Presenciamos recorrentes tentativas de calar a imprensa, das quais menciono algumas: a ideia da expulsão de um correspondente estrangeiro; a esdrúxula iniciativa de criação de um Conselho Federal de Jornalismo; e a disfarçada iniciativa de controle de conteúdo da mídia, sob o manto da defesa dos direitos humanos. Permanecerão no governo que se inicia grupos que têm uma visão deturpada das práticas políticas. Aqueles que tratam a oposição, essencial em qualquer regime democrático, como os inimigos a serem aniquilados. Pessoas que não conseguem conviver com uma imprensa livre e com o respeito às liberdades individuais. O Presidente Lula disse que a derrota de alguns senadores de oposição havia sido obra de Deus. Quase se declarou instrumento da vingança divina. Mais próximo de Deus, certamente está o Padre Antônio Vieira, que em seu célebre “Sermão do Bom Ladrão” comparou os príncipes de Jerusalém aos governantes de sua época, que fingiam, assim como hoje, não saber o que acontecia sob suas barbas”.

Alguém, de sã consciência, tem argumentos para se contrapor aos de Tasso?


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