Uma coisa que a doença do presidente sublinhou é a profundidade da divisão no país
A maior preocupação que Marianela Hernández enfrentava costumava ser encontrar óleo de cozinha e carne no bairro de classe trabalhadora em que ela mora em Caracas. Isso foi antes de o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, viajar para Havana para tratar um câncer. Agora, Marianela tem preocupações mais urgentes: o estado de saúde do presidente e o período de caos que surgirá caso ele não se recupere.
"O que faremos se "el comandante" não puder continuar à frente do país?", disse Marianela, de 55 anos, faxineira de escritório. "Qual será o futuro dos programas iniciados por ele, o que acontecerá com seu apoio ao povo? O que vai ocorrer conosco?" Ela não é a única pessoa obcecada pela doença do presidente: a Venezuela parece ter virtualmente parado de prestar atenção em tudo o mais. O aniversário de 200 anos da fundação do país, celebrado no dia 5, encontrou pouco espaço no imaginário popular, assim como o recente sucesso da seleção nacional de futebol que disputa a Copa América na Argentina.
Esta influência durante a doença se equipara à inescapável presença de Chávez nos momentos de saúde. Diferentemente de todos os outros líderes da história democrática da Venezuela, Chávez dominou a vida cotidiana, reunindo em torno de si um poder cada vez maior por meio da erosão da autonomia das instituições políticas do país. Desde que assumiu a presidência, em 1999, Chávez buscou ativamente alterar a realidade política, social e econômica da Venezuela, levando muitos de seus seguidores a retratá-lo como o messiânico salvador do país.
Apoio. Chávez obtém a maior parte de seu apoio da população pobre da Venezuela, que corresponde a 80% dos 28 milhões de habitantes. Eles apoiam o presidente por causa de seus maneirismos populares, mas também porque são beneficiados pelos programas sociais apresentados por Chávez - habitação gratuita e empréstimos a juros baixos.
Isso não significa que os venezuelanos estejam todos ansiando pela pronta recuperação do presidente. Roberto Carmona, programador de computadores atualmente desempregado, diz estar perplexo com a comoção excessiva. "Ele está arruinando o país com suas políticas, e por isso torço para que ele tenha de renunciar. Talvez eu possa encontrar emprego novamente quando as empresas voltarem a investir. Mas acho que ainda é cedo para contar com o afastamento dele", disse Carmona, suspirando. "Como diz o ditado local, ervas daninhas nunca morrem".
No início do mês, Chávez admitiu que os médicos em Cuba tinham removido um tumor maligno de seu abdômen. Desde então, o vice-presidente Elías Jaua disse apenas que Chávez está se submetendo a um "tratamento rigoroso" e "o presidente continua a desempenhar suas funções durante este processo". Ele não ofereceu mais detalhes.
É esse tipo de informação inconsistente e incompleta sobre a saúde de Chávez que alimentou as incontroláveis especulações do público. Enquanto Chávez se cala sobre a doença, suas poucas e cuidadosamente orquestradas aparições públicas são assistidas de novo e de novo na busca por possíveis pistas a respeito da saúde dele enquanto o presidente recebia tratamento em Caracas.
Peter Wilsonm, Foreign Policy - O Estado de S.Paulo
A maior preocupação que Marianela Hernández enfrentava costumava ser encontrar óleo de cozinha e carne no bairro de classe trabalhadora em que ela mora em Caracas. Isso foi antes de o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, viajar para Havana para tratar um câncer. Agora, Marianela tem preocupações mais urgentes: o estado de saúde do presidente e o período de caos que surgirá caso ele não se recupere.
"O que faremos se "el comandante" não puder continuar à frente do país?", disse Marianela, de 55 anos, faxineira de escritório. "Qual será o futuro dos programas iniciados por ele, o que acontecerá com seu apoio ao povo? O que vai ocorrer conosco?" Ela não é a única pessoa obcecada pela doença do presidente: a Venezuela parece ter virtualmente parado de prestar atenção em tudo o mais. O aniversário de 200 anos da fundação do país, celebrado no dia 5, encontrou pouco espaço no imaginário popular, assim como o recente sucesso da seleção nacional de futebol que disputa a Copa América na Argentina.
Esta influência durante a doença se equipara à inescapável presença de Chávez nos momentos de saúde. Diferentemente de todos os outros líderes da história democrática da Venezuela, Chávez dominou a vida cotidiana, reunindo em torno de si um poder cada vez maior por meio da erosão da autonomia das instituições políticas do país. Desde que assumiu a presidência, em 1999, Chávez buscou ativamente alterar a realidade política, social e econômica da Venezuela, levando muitos de seus seguidores a retratá-lo como o messiânico salvador do país.
Apoio. Chávez obtém a maior parte de seu apoio da população pobre da Venezuela, que corresponde a 80% dos 28 milhões de habitantes. Eles apoiam o presidente por causa de seus maneirismos populares, mas também porque são beneficiados pelos programas sociais apresentados por Chávez - habitação gratuita e empréstimos a juros baixos.
Isso não significa que os venezuelanos estejam todos ansiando pela pronta recuperação do presidente. Roberto Carmona, programador de computadores atualmente desempregado, diz estar perplexo com a comoção excessiva. "Ele está arruinando o país com suas políticas, e por isso torço para que ele tenha de renunciar. Talvez eu possa encontrar emprego novamente quando as empresas voltarem a investir. Mas acho que ainda é cedo para contar com o afastamento dele", disse Carmona, suspirando. "Como diz o ditado local, ervas daninhas nunca morrem".
No início do mês, Chávez admitiu que os médicos em Cuba tinham removido um tumor maligno de seu abdômen. Desde então, o vice-presidente Elías Jaua disse apenas que Chávez está se submetendo a um "tratamento rigoroso" e "o presidente continua a desempenhar suas funções durante este processo". Ele não ofereceu mais detalhes.
É esse tipo de informação inconsistente e incompleta sobre a saúde de Chávez que alimentou as incontroláveis especulações do público. Enquanto Chávez se cala sobre a doença, suas poucas e cuidadosamente orquestradas aparições públicas são assistidas de novo e de novo na busca por possíveis pistas a respeito da saúde dele enquanto o presidente recebia tratamento em Caracas.
Peter Wilsonm, Foreign Policy - O Estado de S.Paulo
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