Algumas ditaduras do século XX foram destruídas pela derrota militar ou pela ação de grupos militares que atuaram desde fora com cumplicidades internas. A Alemanha nazista, por exemplo, foi derrotada através das armas. Mas o mais freqüente é que os críticos e dissidentes da resistência interna sejam os que minam a aparente invulnerabilidade de regimes autoritários. A desobediência civil, as greves de fome, a resistência passiva e pacífica, fizeram cambalear-se muitas ditaduras que se consideravam imutáveis.Esta situação está acontecendo agora em Cuba, onde depois de mais de meio século sob o regime autoritário dos irmãos Castro, alguns cidadãos apelam para sua auto-condenação como forma de chamar a atenção da Comunidade Internacional. Exemplos como os de Orlando Zapata Tamayo, que morreu após 85 dias de greve de fome, e Guillermo Fariñas, um jornalista e psicólogo de 48 anos, que iniciou seu jejum no dia 24 de fevereiro -um dia depois da morte de Zapata- para exigir a libertação de 52 presos políticos.
A imprensa internacional noticia que o povo cubano está submetido a grandes carências alimentarias e impossibilidade de cobrir suas necessidades básicas, inclusive contar com uma moradia digna, quando o salário médio não chega a 20 dólares mensais. A crise econômica, política e social é tão profunda que o Presidente Raúl Castro reconheceu em julho de 2007 a necessidade de mudanças profundas.
O caos interno e o desprestigio internacional propiciaram que pela primeira vez o governo inicie negociações com a Igreja Católica de Cuba. Ainda que Havana não queira admitir sua fragilidade ao tentar uma aproximação o clero é possível identificar alguns resultados promissores, à luz das recentes reuniões entre Raúl Castro e o Cardeal Jaime Ortega. Entretanto, questões importantes como o respeito aos direitos humanos ainda continua sendo uma questão delicada entre as duas partes.
Não podemos deixar de enxergar que os esforços dos dissidentes citados anteriormente, a mediação da Igreja, as pressões internacionais e a fugaz intervenção do ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos estão vencendo, ainda que de forma lenta, a luta contra as últimas ditaduras.
Não podemos deixar de enxergar que os esforços dos dissidentes citados anteriormente, a mediação da Igreja, as pressões internacionais e a fugaz intervenção do ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Angel Moratinos estão vencendo, ainda que de forma lenta, a luta contra as últimas ditaduras.
Mas o lógico muitas vezes não ocorre. De forma paradoxal o governo cubano, um dos mais
contumazes infratores dos direitos humanos, no mundo, foi eleito, em junho passado para ocupar uma das Vice Presidência no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas.
contumazes infratores dos direitos humanos, no mundo, foi eleito, em junho passado para ocupar uma das Vice Presidência no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas. È no mínimo embaraçoso que um grupo de nações latino americanas, (podemos incluir Brasil, Argentina, El Salvador, Chile e Paraguai) que sofreram as mesmas experiências cubanas, seja hoje as que apóiem uma ditadura que foi condenada opinião pública.
O povo cubano merece dias melhores!
Publicado no jornal O POVO, 20-07-2010
Postado por Armando Lopes Rafael
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